Blog da Estante Virtual

25.11.2011

Literatura Brutalista – uma literatura sem abrandamento

agostinho blogou @ 3:26 pm / veja outros posts sobre Livros e Autores

Os detetives já não são mais tão heróis assim, e os assassinos são amorais. Essas são duas das principais características do gênero literário que vem sendo trabalhado por alguns autores brasileiros nas últimas décadas: a literatura brutalista.

Essa literatura foi batizada por Alfredo Bosi em 1975, no livro O conto brasileiro contemporâneo, quando o teórico se refere às obras de Rubem Fonseca (principalmente os contos das décadas de 60 e 70), considerado um dos inauguradores da literatura brutalista no Brasil. Também conhecido como neo-realismo violento, esse gênero tem características bem específicas e, apesar de beber na fonte da literatura noir ou policial, ele possui outros atributos que o diferem desta.

No gênero policial tradicional, temos sempre um crime brutal (geralmente um assassinato), e um investigador genial, como Sherlock Holmes, por exemplo, que vai à cena do crime e dá início à caçada ao assassino. Até aí, temos semelhanças com as histórias como as de Rubem Fonseca, mas as coisas começam a se diferenciar quando prestamos um pouco mais de atenção nos investigadores.

Enquanto no romance policial temos geralmente personagens geniais, com inteligência metafísica, como nos romances de Sir Arthur Conan Doyle e Edgar Allan Poe, ou com grande intuição, como nos livros de Dashiell Hammett ou Raymond Chandler, nos contos e romances de Rubem Fonseca e dos escritores da literatura brutalista vemos um investigador simples, tão humano quanto os assassinos, e que possui vícios, defeitos, características sombrias, muito diferente do herói que esse tipo de personagem costumava representar.

Isso porque os investigadores estão inseridos em histórias urbanas contextualizadas com a violência gerada pela exclusão social dos grandes centros urbanos. Agora não existe mais mocinho ou bandido. Os protagonistas vivem dilemas e os antagonistas são amorais, não têm remorso ou culpa por seus crimes, ou seja, os criminosos são brutais unicamente pela natureza humana, sejam das camadas superiores ou inferiores da sociedade.

Essa violência é demonstrada também através da linguagem utilizada na literatura brutalista: frases curtas, diretas, sem abrandamentos e altamente simples para que o leitor não tenha a menor dúvida de que a violência está presente. Esse choque gera um fascínio por tal tipo de literatura. É muito diferente de tudo o que vinha sendo feito, mesmo os mais realistas dos autores não conseguiram atingir esse nível de sofisticação na representação da realidade.

As investigações e o cotidiano relatados nas obras de autores como Rubem Fonseca, João Antonio, Wander Piroli, Sérgio Sant’Anna, e, mais tarde, na década de 90, por Marcelino Freire e Marçal Aquino e Patrícia Melo, são surpreendentes e chocam os leitores mais desavisados que esperam encontrar o clássico investigador super inteligente ou, até mesmo nas histórias que não são policiais, um cotidiano simples de personagens brandos.

Busque na Estante Virtual os principais livros de literatura brutalista ou policial dos autores citados neste post:

19.01.2011

Biografias: detalhes da vida real

luana blogou @ 5:25 pm / veja outros posts sobre Livros e Autores

Elas despertam a curiosidade daqueles que querem saber um pouco mais sobre a vida das pessoas que admiram. Infância, vida profissional, processo criativo, relacionamentos amorosos, brigas – quase nenhum detalhe fica de fora nos livros que contam histórias de personagens reais: as biografias.

Caracterizado pela narrativa de fatos históricos da vida de uma pessoa, o gênero biográfico apareceu no Brasil na segunda metade do século XIX. Mas foi o filósofo grego Plutarco quem, ainda no período clássico, tornou-se o primeiro grande biógrafo de que se tem notícia ao escrever De Vita et moribus Julli Agricolae – narrativa sobre as virtudes de seu sogro.

Após o surgimento do gênero, as estantes no mundo todo ganham novos personagens a cada ano. O Papa João Paulo II, políticos como Stalin, Fidel Castro e mais recentemente, os ex-presidentes Nicolas Sarkozy e Lula tiveram suas vidas descritas em livros. Assim como compositores (Adoniran Barbosa e Tom Jobim), cantores (Raul Seixas, Kurt Cobain, John Lennon, Erasmo Carlos e Maysa) e outras personalidades notáveis.

Até mesmo alguns daqueles que destinaram a vida a escrever, mudaram de lado e tornaram-se protagonistas de livros que narram suas próprias histórias. Biografias de George Orwell, Agatha Christie, Gabriel García Márquez e J. R. R. Tolkien revelam sentimentos e experiências da vida de renomados escritores e matam a curiosidade de seus fãs leitores.

Quando a própria personalidade é quem toma a iniciativa de escrever sobre sua história, temos uma autobiografia. A primeira que se tem notícia é Confissões, de Santo Agostinho, escrita no século IV. Ainda que, na maioria das vezes, as biografias contem a vida de alguém depois de sua morte, contar sua história, ainda em vida, tem se tornado comum nas publicações mais atuais do gênero. Com o crescimento do culto às celebridades, até mesmo uma nova categoria de biografias ganhou força: as não autorizadas. É o caso, por exemplo, dos relatos de vida do ator Tom Cruise, da escritora Stephenie Meyer e do cantor Justin Bieber.

Para escrever a biografia de alguém, o trabalho é semelhante ao de um historiador. Exige investigação de documentos históricos, entrevista com parentes, amigos e conhecidos, análise de fotografias, cartas, memórias e estudo das obras (livros, pinturas, esculturas e outros) do personagem. Os resultados de tanta pesquisa podem ser relatos clássicos ou prá lá de inusitados, como as biografias em quadrinhos e, até mesmo, a de personagens ficcionais como o Papai Noel.

Se você gosta deste gênero literário, confira a seleção de livros que fizemos na estante Biografias e escolha a de sua personalidade favorita.

Dossi� Che Guevara Eu, aos Peda�os As Vidas de Chico Xavier Vale Tudo: O Som e a F�ria de Tim Maia A Fant�stica Hist�ria de S�lvio Santos
 

Dossiê Che
Guevara

Rodolfo Lorenzato

 

Eu, aos
Pedaços

Carlos Heitor Cony

 

As Vidas de
Chico Xavier

Marcel Souto Maior

 

Vale Tudo: O
Som e a Fúria
de Tim Maia

Nelson Motta

 

A Fantástica História
de Sílvio Santos

Arlindo Silva

 

Capote: uma Biografia
Gerald Clarke

Os Sapatos de Orfeu Saramago Meu Nome n�o � Johnny Bussunda: A Vida do Casseta Michael Jackson - o Rei do Pop Chat�, O Rei do Brasil
 

Os Sapatos
de Orfeu

José Maria Cançado

 

Saramago
João Marques Lopes

 

Meu nome
não é Johnny

Guilherme Fiuzal

 

Bussunda: A
Vida do Casseta

Guilherme Fiuza

 

Michael Jackson
- o Rei do Pop

Chris Roberts

 

Chatô, o Rei
do Brasil

Fernando Morais

09.11.2007

Os 10 mandamentos para ser autor, segundo Miguel Sanches Neto

Clara blogou @ 5:48 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades

Em tempos de pulverização de blogs, sites e impressão de livros a todo vapor, Miguel Sanches Neto se propôs a escrever os dez mandamentos para ser escritor, em texto publicado na Revista Entrelivros. Aqui vai uma canja editada do texto.

  • Não fique mandando seus originais para todo mundo.
  • Publique seus textos em sites e blogs e deixe que sigam o rumo deles. Depois de um tempo publicando eletronicamente, você vai encontrar alguns leitores.
  • Leia os contemporâneos, até para saber onde é o seu lugar.
  • Considere apenas uma pequenina parte de toda a sua produção inicial, e invista na revisão dela, sabendo que revisar é cortar.
  • Gaste todo seu dinheiro extra em cerveja, viagens, restaurantes e não pague a publicação do próprio livro.
  • Nunca peça a ninguém para indicar o seu livro a uma editora.
  • Mande seu livro a todos os concursos possíveis e a editoras bem escolhidas, pois cada uma tem seu perfil editorial.
  • Não force os amigos e conhecidos a escrever sobre seu livro. Não quer dizer que eles não possam escrever, podem sim, mas mande o livro e, se eles não acusarem recebimento ou não comentarem mais o assunto, esqueça e não lhes queira mal, eles são nossos amigos mesmo não gostando do que escrevemos.
  • Nunca passe recibo às críticas negativas. Ao publicar você se torna uma pessoa pública.
  • Evite reclamar de sua editora. Uma editora não existe para reverenciar nosso talento a toda hora. É uma empresa que busca o lucro.

26.10.2007

Livros da Editora do Autor disponíveis na Estante Virtual

Clara blogou @ 4:30 pm / veja outros posts sobre Livros e Autores e Novidades e Curiosidades

O que reúne Cecília Meireles, Drummond, João Cabral, Fernando Sabino, Sartre e Salinger? Se você está quase arriscando um palpite sobre estilo literário, veja essa: todos esses autores estiveram no catálogo da badalada Editora do Autor, fundada em 1960 por Fernando Sabino, Rubem Braga e Walter Acosta. Na noite de inauguração da editora foi realizada uma histórica sessão de autógrafos de Jean-Paul Sartre, no Rio de Janeiro, em que esteve presente Simone de Beauvoir e muitos outros grandes nomes da literatura. O empreendimento não durou muito tempo (acabou em 1967), mas publicou obras de autores muito importantes.

Recentemente, 10 mil volumes da editora foram encontrados em um galpão do Rio de Janeiro. Mas você, usuário da Estante Virtual, não precisa vasculhar galpões para encontrar livros da Editora do Autor: estão disponíveis no portal muitos dos seus títulos, como as relíquias Contos de Aprendiz, de Carlos Drummond de Andrade, Garoto Linha Dura, de Stanislaw Ponte Preta e Terceira Feira, de João Cabral de Melo Neto, entre outros. Clique aqui e confira os livros da editora disponíveis no portal.

26.09.2007

Escritores ingleses respondem ao Guardian: por que escrever?

Clara blogou @ 4:55 pm / veja outros posts sobre Estante Virtual e Livros e Autores

Uma perguntinha tão besta quanto fundamental: Por que os escritores escrevem? O que os leva à literatura?

O jornal inglês The Guardian perguntou a dez autores consagrados o motivo que os leva à criação. Conn Iggulden, autor da série O Imperador, (Editora Record), disse que começou a escrever romances fantásticos e passou a adorar os altos vôos de sua imaginação. “Foram como uma droga para mim. É um sentimento maravilhoso quando as palavras surgem”, contou à reportagem do jornal.
Will Self, autor de Como vivem os mortos(Editora Objetiva) confessou que adora poder criar pequenos mundos em que tudo está sob seu controle. E disse, ainda, que precisa de pequenos rituais para sobreviver aos tempos de escrita solitária: cachimbo, cigarros, café e canetinhas. Confira mais depimentos de escritores na reportagem do Guardian!


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