Blog da Estante Virtual

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05.10.2011

Do outro lado do balcão: conheça escritores que já foram livreiros

luana blogou @ 3:37 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades e Sebos e livreiros

No prefácio da obra Eu queria um livro: antologia de contos e cenas livrescas, o autor e roteirista de cinema Rubem Fonseca afirma: “a minha ideia de paraíso é uma livraria”. Apesar de ser conhecido por não escrever prefácios de livros, Rubem Fonseca afirma que sentiu-se seduzido pelos contos de 16 livreiros reunidos nesta obra organizada pelo escritor, e também livreiro, Leandro Müller. Decidido, então, a burlar sua própria tradição, Rubem Fonseca prestou homenagem a todos os livreiros, que segundo ele, permitiram que em sua infância passasse grande parte do seu tempo nas livrarias, folheando livros e lendo muitos títulos. Outros autores foram além e, seduzidos pelo encanto das estantes e prateleiras repletas de livros, decidiram pular o balcão tornando-se livreiros ou vivenciando a experiência por um tempo.

A Shakespeare & Company, livraria localizada em Paris, e fundada em 1919, tornou-se famosa não só por ser referência de literatura inglesa em terreno francês. Parte de seu reconhecimento advém do fato de o local ter abrigado, no período entre guerras, muitos escritores que em troca de cama e comida, vivenciaram de perto a experiência de vender livros. Ernest Hemingway, Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald, Gertrude Stein são alguns dos nomes famosos da literatura que passaram parte de seu tempo na livraria, aprendendo sobre a rotina de um livreiro e vivenciando as experiências de quem vive da venda de livros. O escritor de origem irlandesa, James Joyce, chegou a fazer do local seu próprio escritório. Da amizade particular com Sylvia Beach, fundadora da Shakespeare & Company, surgiu a oportunidade de publicar, em 1922, o livro Ulisses, uma das principais obras do autor e por vezes rejeitada por inúmeros editores. Reza a lenda que a livraria foi fechada, em 1941, durante a ocupação alemã, porque Sylvia teria negado a um oficial alemão a última cópia de outra obra do autor: Finnegans Wake.

Em 1951 foi a vez de George Whitman “reabrir” a Shakespeare & Company em tributo a Sylvia Beach. E novos autores, 40 mil segundo o próprio empresário, foram convidados a passar por lá e ajudar no trabalho de livreiro. Foi então que Henry Miller, Samuel Beckett, Anaïs Nin e outros puderam passar algumas tardes dividindo o tempo entre a leitura, a escrita e a venda de livros. Jeremy Mercer, jornalista canadense que viveu na livraria escreveu o livro Um livro por dia: minha temporada parisiense na Shakespeare and Company sobre o dia-a-dia da livraria e os personagens ilustres que já circularam no local. Atualmente a loja está sobre a administração da filha de George Whitman, Sylvia Beach Whitman, e permanece com a tradição de permitir que jovens escritores vivam e trabalhem na livraria.

Mesmo sem terem tornado-se livreiros, outros autores famosos já manifestaram seu interesse pelo dia-a-dia das livrarias, à semelhança de Rubem Fonseca. George Orwell, autor de 1984 e revolução dos bichos, já declarou que passou dias felizes dentro de uma livraria e chegou a se questionar se seria um bom livreiro. Para responder a essa pergunta e atender o desejo de muitos escritores em tornarem-se livreiros, na Inglaterra, a Associação de Vendedores de Livros convidou vários autores a irem até suas livrarias preferidas e passarem um tempo lá exercendo funções de um livreiro, como organizar os livros nas estantes e vender os exemplares aos leitores que frequentam os locais. A iniciativa, conhecida como Strictly Come Bookselling foi apenas uma das atividades organizadas pela associação para celebrar a Semana de Livreiros Independentes.

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06.06.2011

Abrindo um sebo (2)

luana blogou @ 2:13 pm / veja outros posts sobre Sebos e livreiros

No post anterior, você viu algumas dicas de livreiros quanto à escolha do acervo e da localização da loja e conheceu as características que são necessárias para se empreender no comércio de livros seminovos e usados. Neste post, você confere a continuação da matéria Abrindo um Sebo e aprende como criar um diferencial competitivo para a sua loja.

“Hoje em dia, em qualquer campo de trabalho, ganha quem se destaca. Por isso, aqui no sebo Viajantes do Tempo, possuímos um sistema de encomendas. O cliente solicita um livro que não dispomos em estoque, encomendamos com os fornecedores e, em até 5 dias úteis, o livro já está nas mãos do cliente”, revela o livreiro Pietro Augusto Zanetti. Além desse serviço, a loja também realiza a higienização de cd’s e dvd’s e está em fase de implementação de um programa de fidelidade. “Acredito que este projeto seja um diferencial considerável para quem gosta de aproveitar promoções e compra livros com frequência”, justifica o empreendedor.

Já a professora e livreira Léa Valentim Bandeira aposta em atividades culturais dentro do sebo Livros, Café e Cia para criar valor para sua loja. “Ainda que o fato de ser a única livraria da minha cidade seja um diferencial por si só, sebo remete à cultura diversificada, por isso, ofereço também aulas de música (violão e canto), reforço escolar e realizo visitação de crianças ao meu sebo. Estar aberto à cultura é um dos diferenciais mais importantes para quem vende livros”, afirma a livreira.

Sebo, lugar de livros arrumados

Hoje, livreiros de todo o mundo têm comprovado que a estrutura de uma loja de livros seminovos e usados não exige sofisticação, mas requer uma boa organização para que o cliente encontre com rapidez o que procura. “Essa associação foi nossa principal preocupação desde o início. Por isso, investimos em decoração, pinturas, pôsteres, banners, quadros e até mesmo figuras de ação em miniaturas. A idéia era criar um novo conceito de sebo: inovador e organizado”, afirma Pietro. Léa também aposta na nova “cara” dos sebos. “Independentemente de se trabalhar com livros seminovos e usados, manter o ambiente limpo e arrumado é fundamental para tornar o ambiente atraente, agradável e reter o leitor mais tempo na loja”.

Para manter tudo organizado, Pietro investe na categorização das estantes. “Disponho os livros e os dvd’s em ordem alfabética separados por categorias. Já os cd’s e lp’s ficam em uma bancada classificados por gênero. Além disso, é fundamental ter tudo cadastrado em um sistema informatizado, pois agiliza a busca por títulos e ainda aumenta o controle de tudo que entra e sai no estoque da loja”, conta o livreiro. Também é preciso deixar o caminho livre para a passagem dos clientes e investir no som ambiente. “É sempre legal deixar um lp rolando na vitrola. Além de divertido, chama a atenção das pessoas que passam na rua”, revela Pietro.

Outra boa dica para criar um diferencial estratégico e competitivo é manter espaços para os clientes na loja. Uma mesa com cadeira é uma solução simples e que pode acomodar bem o leitor e fazer com que ele permaneça mais tempo no sebo. A criação de outros espaços para exposições e mostras culturais também pode ser considerado. De acordo com o Sebrae, para uma estrutura mínima de venda de dois mil itens, estima-se ser necessária uma área de 50m².

Excelência no atendimento

Elencado pelos livreiros como o diferencial mais importante está o atendimento. Resultado de um relacionamento de longo prazo com o cliente, o atendimento é o que, na maioria das vezes, gera a indicação de novos clientes. “Quando o livreiro tem um conhecimento amplo sobre leitura e uma conversa agradável, os clientes voltam”, garante Léa. Para Pietro, o importante é não ser invasivo e deixar o cliente à vontade. “Oito em 10 pessoas não curtem serem abordadas pelos vendedores com perguntas clichês do tipo: ‘posso ajudar’. Então, sempre procuro deixar o cliente à vontade para fazer as perguntas que quiser, folhear livros e até trocar a música que está tocando na loja. Tudo isso para que ele se sinta acolhido”, argumenta o livreiro.

Amor pela profissão

Mas para investir no comércio de livros seminovos e usados, Léa afirma que o quesito básico é o amor pelos livros. “Para empreender nessa área é preciso gostar da leitura ou do objeto livro. Conheci livreiros que não são grandes leitores mas amam os livros pelo que eles podem oferecer às pessoas”, argumenta ela que acredita que a experiência no ramo é algo que se adquire com o tempo. “Como é impossível ler todos os livros da sua loja, é importante ler o maior número possível de contracapas, prefácios e juntar todas as informações capazes de auxiliar os mais variados clientes. O restante é conseqüência do tempo”.

Para Pietro, a ousadia preenche o perfil de um empreendedor no ramo de sebos e livrarias. “Ter ousadia, visão estratégica e de mercado, dinamismo e criatividade são fundamentais para um empreendimento de sucesso”. Mas ele é cauteloso: “além disso, é preciso se ter em mente que não se atinge o sucesso sem trabalho árduo, sem superar barreiras e sem errar algumas vezes. Manter sempre o pensamento positivo ajuda, mas não basta só isso. Você realmente tem que conhecer o ramo do negócio”.

Se você tem outras dicas para quem vai abrir um sebo, não deixe de compartilhá-las comentando este post.

Aguarde, em breve, dicas de livreiros sobre as melhores práticas para venda de livros seminovos e usados na internet.

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02.06.2011

Abrindo um sebo (1)

luana blogou @ 3:39 pm / veja outros posts sobre Sebos e livreiros

Os primeiros sebos surgiram na Europa, ainda por volta do século XVI, quando os mercadores começaram a vender documentos importantes a pesquisadores da época. Mas, séculos depois, os sebos se popularizaram e tornaram-se conhecidos por disponibilizar uma oferta mais ampla de autores e títulos que as livrarias tradicionais e a preços bem mais acessíveis ao bolso da população. Hoje, além disso, os sebos brasileiros se organizaram, ampliaram seus acervos com a aquisição de livros seminovos e novos e se modernizaram, passando a vender livros também pela internet desde a criação da Estante Virtual. Como qualquer empreendimento, a venda de livros seminovos e usados pode ser uma atividade muito lucrativa, mas requer dedicação e desenvoltura para lidar com os desafios inerentes à qualquer atividade comercial.

Há muitos anos Léa Valentim Bandeira alimentava o sonho de abrir um sebo em sua cidade. “Aqui em Paty de Alferes (RJ) não existe nenhuma livraria. Temos uma boa biblioteca pública mas o único local que vende livros é uma papelaria evangélica”, explica a livreira de 48 anos e também professora do Ensino Fundamental. Com um acervo inicial de 500 livros de sua biblioteca pessoal, Léa alugou uma casa com dois quartos e deu início à construção de seu sonho: o Livros, Café e Cia. “As pessoas gostaram da ideia e foram me ajudando com doações. Hoje, seis meses após a abertura do sebo, possuo um acervo de 8.000 livros”, revela a empreendedora.

Já a ideia de montar a livraria Viajantes do Tempo, localizado no bairro Tucuruvi, em São Paulo (SP), surgiu da vontade do jovem livreiro Pietro Augusto Zanetti, 20 anos, de mudar o conceito de sebo como lugar bagunçado e de livros ultrapassados. “O sebo Viajantes do Tempo iniciou suas atividades em abril de 2010 com uma quantia aproximada de 1.000 livros, 200 cd’s, 1.000 dvd’s e 2.000 lp’s. Após um ano de existência, praticamente quadruplicamos esse estoque”, revela Pietro.

O dia-a-dia no sebo

As rotinas diárias de um sebo variam muito de acordo com o tamanho do empreendimento, do quanto é investido em suas atividade e do lucro que se deseja obter. Mas, em tese, as tarefas básicas são as mesmas: limpar e organizar. “O cadastramento de produtos é algo frequente. Ocorre quase todos os dias já que sempre chegam livros de editoras e distribuidoras”, explica Pietro. Por isso, para um sebo funcionar com rendimento total Léa acredita que é preciso, no mínimo, duas pessoas trabalhando na loja. “Enquanto uma cuida das tarefas administrativas, financeiras e de controle de estoque, como o cadastramento dos livros, a outra volta esforços no atendimento ao público”, afirma a livreira. 

A escolha do acervo

Ter bons títulos à disposição dos leitores é um dos principais quesitos para o sucesso e a permanência do empreendimento. Em um sebo, vender bem é o mesmo que comprar bem. “Em geral, o que deve ser observado é o tipo de público da região na qual a loja está localizada. Se há escolas por perto, por exemplo, títulos que constem nas listas de vestibulares como O Cortiço, de Aluísio Azevedo e Vidas Secas, de Graciliano Ramos são fundamentais”, exemplifica Pietro. Foi pesquisando os hábitos de leitura da população local que Léa decidiu investir nos livros sobre religião. “É importante observar a preferência local. Os livros que mais saem na loja são os religiosos: evangélicos e espíritas”, revela.

Mas conseguir bons fornecedores não é fácil. “A procura é cansativa. Sempre existem vendedores oferecendo lotes de livros, cd’s, lp’s, gibis e dvd’s, mas o preço muitas vezes não vale a pena. O segredo, então, é procurar bastante, garimpar mesmo”, enfatiza Pietro. Para isso, além de anúncios nos jornais e parcerias com editoras e distribuidoras, os sebos vão sempre encontrando outras formas de ampliar seus acervos. “Além dos cartõezinhos que distribuo, o boca-a-boca é o que mais me ajuda a conseguir livros novos para o acervo da loja”, conta Léa.

O importante, então, é que o livreiro tenha sensibilidade para identificar livros que terão fácil revenda. Para minimizar os riscos financeiros e evitar o encalhe de estoque, uma opção usada em alguns sebos é a compra por consignação. Nesta modalidade, as pessoas deixam seus livros na loja e caso o produto seja vendido, o ex-dono do livro é remunerado com um percentual sobre a venda.

A decisão pelo ponto

Além da escolha do acervo, a localização da loja também é determinante para o sucesso do negócio. Portanto, além de determinar o perfil dos consumidores locais, é preciso considerar a densidade populacional da região, a concorrência, os fatores de acesso e locomoção, a proximidade com os fornecedores e a segurança do local. “Regiões em que existem muitas escolas e grande circulação de pessoas são mais vantajosas”, garante Pietro. Léa concorda: “livros precisam de exposição. Por isso, o melhor local para abertura de um sebo é onde o trânsito de pedestres é intenso”. Mas apostar no volume de clientes em potencial não é suficiente. “É importante observar também o desenvolvimento socioeconômico da região, assim como alguns facilitadores: estacionamento, caixas-eletrônicos, bancos e supermercados próximos. Tudo isso chama o público de outras regiões para a loja”, enfatiza Pietro. Lojas próximas a universidades, centros de ensino, centros culturais e locais onde ocorrem feiras podem representar um grande diferencial estratégico.

No caso de Léa, apesar da loja estar no centro da cidade, o local é de difícil acesso. “Como meu sebo fica em um beco, estou providenciando placas de sinalização a serem colocadas em lugares estratégicos para divulgação da loja”, revela a livreira. Para evitar esses desafios, antes de escolher a localização da sua loja, realize algumas pesquisa de mercado para avaliar a demanda do lugar e também a concorrência. A prefeitura, o IBGE e associações de bairro podem ser fontes valiosas para obter informações do mercado-alvo. Alguns detalhes também devem ser observados no imóvel que dará lugar à loja. Verifique se ele atende a todas as necessidades operacionais do negócio, se oferece serviços de água, luz, esgoto, telefone e internet. Se é um local de fácil acesso e conta com serviços de transporte coletivo nas redondezas. Se o imóvel está legalizado e regularizado junto aos órgãos públicos municipais. E se todas as contas do imóvel se encontram em dia.

Gostou? Então não deixe de comentar esse post. E aguarde a segunda parte da matéria “Abrindo um sebo”. Nela iremos dar dicas para criar um diferencial competitivo para seu sebo.

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14.03.2011

Profissão Livreiro

luana blogou @ 6:56 pm / veja outros posts sobre Sebos e livreiros

Eles dedicam a maior parte do seu tempo aos livros. Conhecem milhares de títulos, a vida e a obra de outros milhares de escritores. Em uma estante lotada de obras, sabem apontar o exemplar mais antigo e também o mais raro em exposição. Não! Eles não são apenas leitores aficionados por literatura. Eles estão do outro lado do balcão. São os vendedores de livros. E neste 14 de março, Dia do Vendedor de Livros, conversamos com duas livreiras que encontraram a realização de suas carreiras nessa profissão.

Início de carreira

Letícia Werneck Streithorst, proprietária do sebo Livros, Livros e Livros, com mais 4.300 exemplares na Estante Virtual, trocou a mesa do escritório onde trabalhava como assessora de imprensa por uma estante recheada de obras raras. “Desde pequena tive contato com os livros dentro de casa por influência de minha mãe e também de meu padrasto poeta. Na carreira de jornalista, me sentia triste e infeliz. Foi quando tive a ideia de montar um sebo. Um amigo livreiro me ensinou todo o processo de compra, venda e troca de livros”, relembra a livreira que, no ano de 2003, abriu sua primeira loja no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro.

Sílvia Chomski, livreira-sócia do sebo Berinjela, nunca foi uma leitora tão voraz quanto seu irmão, que deixava de comer para ler suas obras prediletas. Mas foi por influência dele, que ela tornou-se livreira do sebo que fica no Centro da cidade do Rio de Janeiro e possui um acervo online de mais de 3.400 livros. “Eu morava na Argentina e quando vim para o Brasil com minha filha de 3 meses, precisava trabalhar. Daniel, meu irmão, me ofereceu um emprego de meio período como funcionária do sebo. Aceitei o desafio. Comecei a trabalhar, aprender e gostar do que fazia. Anos mais tarde, tornei-me sócia da livraria”, conta Sílvia.

Nos anos que trabalha como livreira, Sílvia coleciona um grande histórico de situações pra lá de inusitadas. “Certa vez, um jovem veio à livraria buscando um livro laranja. Ele não sabia o autor, a editora, e nem sequer o nome do livro. Depois do ocorrido, sempre que chega algum cliente na livraria, buscando um livro que não sabe bem qual é, rimos e perguntamos: ‘é um livro laranja’?”, brinca Sílvia. E, ainda que garanta que não possui a memória espantosa de seu irmão (para guardar os títulos de obras) – resultado de 15 anos de profissão como livreiro – Sílvia memoriza livros pela capa e conhece, praticamente, todos os lançamentos. “Gosto de novos autores. Geralmente, as pessoas tendem a procurar mais pelos escritores consagrados. Eu gosto de novidade. Por isso, leio autores israelenses, africanos e gosto das biografias e obras com fundo histórico, como a literatura de guerra. Os livros me ensinam o que tempo não permite”, justifica a livreira.

Prós e contras da profissão

Quando questionadas sobre os prós e contras da profissão, Letícia e Sílvia garantem: não há lado negativo no exercício da venda de livros. “Tenho consciência de que o que faço não é algo para me tornar milionária. Mas consigo viver da venda de livros e adoro o que faço, isso me satisfaz”, afirma Letícia. “O único momento ruim na profissão é quando não tenho o livro que o leitor procura. No mais, tudo é positivo. Conhecemos gente interessante, inteligente e dos mais diferentes tipos. Muitos deles tornam-se clientes assíduos e grandes amigos”, complementa Sílvia.

Quanto ao segredo da profissão, ambas são categóricas: é preciso deter conhecimento. “O livreiro precisa ter domínio sobre o objeto de seu trabalho, isto é, o livro. Não significa conhecer todos os títulos e lançamentos, mas o básico: o que é uma edição, como um livro é feito, saber a história do livro, as razões de o papel de uma determinada época ser mais quebradiço. Não é preciso entrar no mérito de conhecer livros raros, mas saber o valor certo e avaliar um livro na hora da compra é fundamental”, enumera Letícia.

Para Sílvia, o conhecimento é, exatamente, o que diferencia os bons vendedores de livros seminovos. “Quem vende livro novo não precisa ter tanto conhecimento sobre os livros. Qualquer informação pode ser encontrada na Internet. Mas nós temos que conhecer livros muito antigos, então, é preciso saber um pouco a mais. Não adianta ter uma livraria, se não souber o que se está vendendo. O cliente vem uma vez e não volta mais. Capacitação e vontade de aprender é primordial para um livreiro”, argumenta Sílvia.

Seguindo essas dicas, e com dedicação e amor pela profissão, as livreiras confirmam: é satisfação garantida para leitores e vendedores de livros. 

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05.01.2011

Livros raros que são verdadeiros tesouros

agostinho blogou @ 4:48 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades e Sebos e livreiros

Uma Bíblia em alemão, de 1800, que precisou ser enterrada pelos donos para não ser destruída na Segunda Guerra Mundial e a primeira edição brasileira de A Origem das Espécies, de Charles Darwin, com capa de tecido e couro, são exemplares que poderiam estar em museus. Mas, na verdade, obras importantíssimas como essas são encontradas em sebos que se dedicam à venda de  livros raros.

No Sebo do Baú, em Bauru (SP), há uma sala exclusiva para cerca de 4 mil desses livros raros: a maioria deles disponível também na Estante Virtual. “Desde o início trabalhamos com essas obras mas a internet impulsionou muito esse negócio”, conta Roberto Dau, proprietário do sebo. Imaginar as razões para o fato não é difícil. A Estante Virtual poupa os colecionadores, grandes consumidores de obras raras, da peregrinação que Roberto precisa fazer para adquirir os livros. “Viajo bastante para comprá-los. Vou a fazendas e casas antigas. Como nosso sebo já é conhecido na região, algumas pessoas ligam para oferecer exemplares”, diz ele, que aprendeu com a prática a fazer negócios na área de livros raros.

Antes disso, porém, cometeu alguns equívocos. O que mais causa remorso foi a venda do livro raro de Darwin por apenas R$650 – valor muito inferior aos R$4 mil que Roberto supõe ser o seu atual valor de mercado. “Hoje, não venderia mais o livro”, garante o livreiro que leva em conta o estado do produto, o autor e o ano, entre outros quesitos, para fixar os preços.

Os mesmos R$ 4 mil foram pedidos pela bíblia alemã no Sebo Café Santa Maria, na cidade homônima localizada no Rio Grande do Sul. Nesse caso, porém, o negócio não foi concluído e o livro voltou para as mãos dos antigos proprietários. “Aparecem muitos livros raros sobre religião por aqui”, revela Simone Burigo, uma das proprietárias do sebo, que disponibiliza quase dois mil exemplares raros na Estante Virtual.

Além dos bibliófilos, pessoas com saudade de obras esgotadas lidas durante a infância também procuram a estante de Livros Raros. “Em geral, são consumidores mais velhos”, conclui Simone, que tem um grande preocupação e cuidado para preservar o material.

E você? Já adquiriu alguma raridade dentro de um sebo? Então, compartilhe esse achado com outros leitores, comentando este post.

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22.09.2010

Entre as páginas de um livro, achados misturam histórias reais à ficção

luana blogou @ 6:06 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades e Sebos e livreiros

Um professor quarentão do Ensino Médio e uma aluna vivem um romance proibido em plena década de 40. A história, digna de Vladimir Nabokov, não foi registrada pela literatura mas sobreviveu em uma correspondência guardada entre as páginas de um livro. Como o casal, inúmeros personagens involuntários são revelados, diariamente, em cartas, fotos, poemas e outros registros encontrados dentro de exemplares antigos comprados por sebos e livreiros para a revenda.

Luiz Alberto Corrêa, que mantém o Sebo do Luiz na Universidade Federal de Santa Catarina, foi quem descobriu o romance proibido descrito acima. “As cartas mostram que eles tinham um relacionamento, embora, a menina demonstrasse culpa e medo por ainda ser muito jovem. O caso durou até ela mudar para outra cidade e enviar uma nova carta terminando o namoro”, revela o livreiro.

Juntamente com as mensagens entre o professor e a aluna, Luiz guarda uma série de achados como: declarações de amor, fotos comoventes de namorados e crianças, flores e folhas secas, entre outros. Objetos que para alguns poderiam parecer sem valor, para ele trazem muita simbologia. “Essa é a parte mais comovente do trabalho de um livreiro. Os livros vão além da leitura e de seus enredos. Guardo todos esses registros pelo significado que têm e porque, um dia, quem sabe, alguém poderá vir buscá-los. Eles não são meus. Sou apenas seu guardião”, explica Luiz que até pretende iniciar uma busca pelos donos dos pertences na internet.

Eduardo Sarno, do sebo baiano Graúna Bons Livros Usados, também guarda seus achados mais valiosos: mensagens assinadas por pessoas de renome. Uma delas é o escritor Érico Veríssimo que, em um pedaço de papel, agradece a uma leitora pelos elogios recebidos. “Tenho também autógrafos e indicações de amigos de pessoas importantes para cargos”, conta ele, que pretende expor os documentos em um blog. Ao contrário de Luiz, Sarno não procura os proprietários originais dos objetos por acreditar que não haveria interesse em reavê-los. Mas, antes de encerrar a entrevista, demonstra o interesse em aumentar a coleção: “aceito todo tipo de doações de documentos encontrados em livros por outros livreiros”.

Em nosso Fórum, outro livreiros contam suas histórias. E, você? Já encontrou algum achado interessante entre as páginas de um livro? Então, não deixe de nos contar essa história, comentando este post.

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09.09.2010

Jornais não perecíveis

luana blogou @ 3:30 pm / veja outros posts sobre Livros e Autores e Sebos e livreiros

Para aqueles que gostam de se manter informados sobre todos os acontecimentos do dia, a data não poderia passar em branco. Nesta sexta-feira, 10 de setembro, comemoramos a fundação do primeiro jornal impresso no Brasil – o Gazeta do Rio de Janeiro. De cunho oficial, ele era redigido pela própria Corte Portuguesa quando, em 1808, desembarcou no país.

Há um ditado corrente entre os profissionais da imprensa de que o jornal é o produto mais perecível do mundo – com validade de apenas um dia. Para um grupo de leitores, contudo, as publicações antigas têm valor inestimável, já que eles fazem questão de ter em mãos a notícia original! E, com freqüência, tornam-se colecionadores e público fiel de sebos que vendem os periódicos antigos.

Sandro Praça dono do primeiro sebo de Vitória, no Espírito Santo, o  Sebo Livraria Café Praça, tem à venda diversas edições do jornal O Pasquim, lançado no fim da década de 60 – e a coleção completa da revista Cinemin – que fazia críticas cinematográficas na década de 80. O livreiro conta que historiadores, professores universitários, estudantes e apaixonados por histórias são seus principais clientes. E, apesar de a era digital proporcionar inúmeras facilidades aos que estão em busca de informações antigas, Sandro acredita que sempre vai haver a procura pelo jornal impresso: “no futuro, veremos que nada substituirá o papel”. Mas é preciso cuidado para que ele se conserve por gerações. “Para vender jornal, é preciso ter atenção redobrada porque o papel sofre uma erosão grande e estraga rápido”, ressalta.

Desde que se lembra, os jornais também fazem parte da vida de Reginaldo dos Santos. Ele trabalhou por anos no banco de dados da Folha de São Paulo e lá, percebeu que muitos leitores compravam edições antigas da publicação porque haviam sido personagens de matérias ou estavam lutando na justiça por alguma causa documentada no períodico. Foi então que Reginaldo teve a ideia de abrir um negócio próprio. Ele fez uma assinatura do jornal e montou o Sebo Outono Azul. Hoje, comercializa também O Estado de São Paulo, Agora e Notícias Populares. As edições mais antigas que Reginaldo tem são de 1998 e 1999 e o preço varia entre R$15 e R$25.

Julio York, dono da Livraria Cadmo, tem mais de mil jornais em um acervo cheio de edições de periódicos como O Pasquim, O Movimento e Opinião. De acordo com o livreiro e professor de Filosofia, as edições mais antigas são da década de 70 e têm um valor histórico muito grande para pesquisadores e colecionadores. Como a clientela é segmentada, ele garante que os leitores são fiéis mas exigentes: “é preciso guardar os jornais embalados para a melhor conservação. Tendo o produto em boa qualidade, o cliente volta a comprar”.

Se você também é um colecionador de jornais antigos, compartilhe sua paixão com a gente. Comente este post, contando que relíquias do jornalismo estão guardadas com você?

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31.08.2010

A paixão pelos quadrinhos

luana blogou @ 2:39 pm / veja outros posts sobre Sebos e livreiros

Eles são queridinhos em todo o mundo. Atraem fãs e a atenção de pessoas de todas as idades. Por isso, os gibis foram atração à parte da Comic-Com, uma convenção internacional de cultura pop que teve sua última edição em julho deste ano, em San Diego, nos Estados Unidos. O evento reuniu milhares de apaixonados pelas revistas em quadrinhos e afoitos pelas novidades que o universo dos gibis está preparando para 2011.

Mas não é somente em San Diego que as histórias em quadrinhos são febre. Os gibis têm grande procura na Estante Virtual e, a cada dia, surgem novos fãs dos HQs. De acordo com Cristiane Suzukawa, dona do Sebo Dom Quixote, em Araçatuba (SP), clientes de diferentes faixas etárias frequentam a loja. “Os mais jovens começam lendo ‘Turma da Mônica’ e os mais velhos procuram por histórias da Disney, como Zé Carioca ou Pato Donald“, conta Cristiane que chega a vender mais de 300 exemplares em um mês. Dentre suas preciosidades em quadrinhos, ela revela: “tenho à venda na Estante Virtual uma edição comemorativa de 50 anos da publicação no Brasil do Flash Gordon. Trata-se de uma reedição de 1982”. E a livreira já vislumbra sua próxima aquisição: “no momento, estou querendo comprar a coleção com 20 volumes do Príncipe Valente”.

O amor aos gibis transformou a vida de Marcelo Fidelis que começou  vendendo parte de sua coleção pessoal no Sebo do Fidelis, em São Bernardo do Campo (SP). O negócio deu tão certo que, hoje, a venda de HQs responde por 10% das vendas da loja. Fã de quadrinhos desde a infância, Marcelo  sempre relê os clássicos e seus preferidos são: as histórias de Gantz e Marvel Zumbis. De acordo com o livreiro, o público-alvo dos gibis é um dos mais fiéis mas também muito exigente: “sabendo atendê-los bem, a fidelidade vem naturalmente. Eles são muito desconfiados e têm razão. É preciso ter cuidado com a embalagem para não amassar as páginas e manter a capa preservada”, alerta Fidelis.

(more…)

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24.08.2010

Aprenda a conservar e recuperar seus livros

luana blogou @ 5:37 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades e Sebos e livreiros

Sabe aquele livro que você adora mas que já começa a dar sinais de cansaço? A lombada não está mais totalmente intacta. As páginas, de tão soltas, já fizeram a história mudar de rumo: o começo no fim, o início no meio – sabe-se lá! E não é que até um inseto mais ousado decidiu fazer da sua obra literária, a morada dele.

A boa notícia é que o desfecho desta história pode ter um final feliz. Com alguns truques e cuidados é possível fazer seu livro ganhar boa aparência novamente. Com o aprendizado e dedicação, os especialistas garantem: jamais o mesmo raio da “má conservação” irá cair duas vezes na mesma estante de livros. Experimente!

Contra invasores

Para não sofrer com as temíveis traças, cupins, brocas e outros invasores indesejáveis, anotem a primeira dica: “É bom abrir os livros uma vez a cada seis meses para ver se está com insetos. Como eles agem à noite, a pessoa não os encontrará durante o dia. Então, bata levemente no livro com as páginas abertas sobre uma folha de papel branco. Se cair uma espécie de poeira é porque os insetos andaram por ali”, ensina Tercio Gaudêncio, membro fundador da Associação Brasileira de Encadernação e Restauro. Vale ressaltar que também não é recomendável manter as obras perto de plantas já que elas atraem insetos – os maiores vilões dos livros depois, é claro, do homem.

Segundo Tercio, que no momento está restaurando uma bíblia do ano de 1555, quebrar a cadeia alimentar dos invasores é a chave para o sucesso! Nesse caso, a compra de um mata-mosquito elétrico pode ser a solução. Além disso, é preciso tomar algumas providências para que os fungos e insetos não migrem para outros exemplares. Coloque o livro infectado em um saco plástico, feche bem e ponha no freezer. Quinze dias depois, coloque o embrulho na parte mais quente da geladeira e deixe por uma semana. Ao retirar, ponha o livro em uma estante fresca e arejada. Dessa forma, mais de 90% dos insetos e fungos serão eliminados.

Páginas coladas

E se as páginas colarem? Se isso ocorreu por excesso de umidade e as páginas foram pressionadas umas contra as outras, esqueça. Nada vai funcionar. Se, ao contrário, elas não sofreram qualquer pressão deixe o livro secar naturalmente. “Aberto e em local arejado. Se possível, com um ventilador ligado. Se as folhas não forem pressionadas, o livro será recuperado”, garante Mario Luiz Gomes, restuarador e dono do Sebo Homo Sapiens.

Cadernos soltos

Para evitar que as folhas do livro se soltem, quando tirá-lo da prateleira, evite puxá-lo pela parte superior. O certo é empurrar o exemplar e puxá-lo pelo meio da lombada. Se os cadernos já estiverem soltos, será preciso comprar uma cola metil-celulose (livre de acidez) e tiras de papel mino para colar cada caderno e, posteriormente, fixá-los na lombada. Mas lembre-se: em alguns casos mais graves será preciso procurar um especialista em restauração.

Melhor prevenir que remediar

Se você não sofre com os males acima e seus livros estão conservados anote as dicas de prevenção: é importante guardá-los em local limpo, arejado e com pouca umidade. Isso significa que é fundamental lavar as mãos antes de manusear os livros, como recomendam as normas internacionais de biblioteconomia. Também se deve evitar lamber os dedos para passar as páginas já que a saliva é ácida e danifica a obra.

A luminosidade não pode ser excessiva e, tampouco, nula. Portanto, nada de caixas fechadas ou sol incidindo diretamente sobre o papel, o que causa reações químicas que atraem fungos e rompe as fibras da celulose. Se for importante encapar o livro, use apenas papel. Nada de durex, que deixa cola no livro e garante alimento para os fungos. Contact, então, nem pensar!

Para mais dicas, acesse este manual de pequenos reparos.

Se você conhece outra técnica para restaurar e/ou conservar livros não deixe de compartilhar com a gente, comentando este post. Estamos aguardando suas dicas!

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06.08.2010

De pai para filho: a paixão hereditária pelos livros

luana blogou @ 2:11 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades e Sebos e livreiros

Dia dos Pais chegando, mas no caso destes livreiros, os filhos são os verdadeiros presenteados. Raquel Esteves, Anderson Glaucius e Valdir Nesi Junior herdaram de seus pais o amor pelos livros e, por influência deles, se tornaram profissionais do mercado literário. Cada um tem uma história diferente, mas a paixão e a dedicação à literatura é o ponto comum a todos.

Anderson Glaucius, de 23 anos, atuava como DJ em Campinas quando foi convocado pelo pai, Antônio, para organizar os CDs vendidos em seu sebo. No início, a loja de nome Achei o Livro comercializava apenas obras espíritas. Com o passar do tempo, o pai foi diversificando o acervo e comprando títulos de todos os gêneros: “Por conta desse aumento no número de livros, meu pai precisou que eu ajudasse a organizar a loja. Além disso, fiquei responsável pelas vendas e pelo cadastro de publicações na Estante Virtual. Foi através do site que consegui arrumar todo o sebo”, conta Anderson. Trabalhar em família é motivo de alegria para o rapaz: “Convivemos em plena harmonia e nos ajudamos mutuamente, principalmente nos momentos mais difíceis”.

Outra história que une pai e filho em torno dos livros é a de Valdir e Junior, que trabalham na Bel e Dom Livros há três anos. Por influência do padrinho de Junior que tem uma loja em Porto Alegre, Valdir percebeu que havia poucos sebos em Santa Catarina e resolveu investir no negócio. Para expandi-lo, seu filho entrou no ambiente online da Estante Virtual e, aos poucos, foi cadastrando os livros do acervo. Na hora de indicar o livro que daria a Valdir no Dia dos Pais, o filho não titubeia e escolhe o título: “Papillon, de Henri Charrière. Ele adora este livro e desde que perdeu o seu, não comprou outro”, revela Junior.

A história de Raquel Esteves, 34 anos, é um pouco diferente das demais. Ela se interessou pelo mundo dos sebos após o falecimento do pai. Ele colecionava livros em uma sala próxima a casa onde moravam, em Santo André, e costumava ler de portas abertas. Na época, poucas obras eram comercializadas e com o passar do tempo, a estante transformou-se numa verdadeira biblioteca com cerca de 20 mil títulos – graças às doações de quem passava pelo local e contribuía para o aumento do acervo.

Depois do falecimento do pai, Raquel encontrou na Estante Virtual um destino para os títulos. Em outubro de 2008, nasceu a Seboweb: “Como não tinha capital para alugar um espaço, a internet era mais viável financeiramente. Comecei do zero. Não sabia como era o mercado de sebos e hoje já estou estruturada. Comprei livros e firmei parceria com editoras”, revela Raquel. Quando estava organizando e separando o acervo do pai, a professora de Administração de Empresas teve uma surpresa: encontrou no meio das páginas de um livro antigo uma carta escrita pela avó, que morava em Portugal com os quatro filhos. O destinatário? Seu avô que estava no Brasil trabalhando e tentando comprar uma casa para a família. “Eles ficaram oito anos separados até minha avó poder vir para cá. A carta falava da saudade que ela sentia do marido. Foi um momento muito emocionante”, lembra.

E, você? Comente este post e nos conte sobre a paixão ou hábito que herdou de seu pai. A Estante Virtual deseja a todos um Feliz Dia dos Pais!

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