Blog da Estante Virtual

25.11.2011

Literatura Brutalista – uma literatura sem abrandamento

agostinho blogou @ 3:26 pm / veja outros posts sobre Livros e Autores

Os detetives já não são mais tão heróis assim, e os assassinos são amorais. Essas são duas das principais características do gênero literário que vem sendo trabalhado por alguns autores brasileiros nas últimas décadas: a literatura brutalista.

Essa literatura foi batizada por Alfredo Bosi em 1975, no livro O conto brasileiro contemporâneo, quando o teórico se refere às obras de Rubem Fonseca (principalmente os contos das décadas de 60 e 70), considerado um dos inauguradores da literatura brutalista no Brasil. Também conhecido como neo-realismo violento, esse gênero tem características bem específicas e, apesar de beber na fonte da literatura noir ou policial, ele possui outros atributos que o diferem desta.

No gênero policial tradicional, temos sempre um crime brutal (geralmente um assassinato), e um investigador genial, como Sherlock Holmes, por exemplo, que vai à cena do crime e dá início à caçada ao assassino. Até aí, temos semelhanças com as histórias como as de Rubem Fonseca, mas as coisas começam a se diferenciar quando prestamos um pouco mais de atenção nos investigadores.

Enquanto no romance policial temos geralmente personagens geniais, com inteligência metafísica, como nos romances de Sir Arthur Conan Doyle e Edgar Allan Poe, ou com grande intuição, como nos livros de Dashiell Hammett ou Raymond Chandler, nos contos e romances de Rubem Fonseca e dos escritores da literatura brutalista vemos um investigador simples, tão humano quanto os assassinos, e que possui vícios, defeitos, características sombrias, muito diferente do herói que esse tipo de personagem costumava representar.

Isso porque os investigadores estão inseridos em histórias urbanas contextualizadas com a violência gerada pela exclusão social dos grandes centros urbanos. Agora não existe mais mocinho ou bandido. Os protagonistas vivem dilemas e os antagonistas são amorais, não têm remorso ou culpa por seus crimes, ou seja, os criminosos são brutais unicamente pela natureza humana, sejam das camadas superiores ou inferiores da sociedade.

Essa violência é demonstrada também através da linguagem utilizada na literatura brutalista: frases curtas, diretas, sem abrandamentos e altamente simples para que o leitor não tenha a menor dúvida de que a violência está presente. Esse choque gera um fascínio por tal tipo de literatura. É muito diferente de tudo o que vinha sendo feito, mesmo os mais realistas dos autores não conseguiram atingir esse nível de sofisticação na representação da realidade.

As investigações e o cotidiano relatados nas obras de autores como Rubem Fonseca, João Antonio, Wander Piroli, Sérgio Sant’Anna, e, mais tarde, na década de 90, por Marcelino Freire e Marçal Aquino e Patrícia Melo, são surpreendentes e chocam os leitores mais desavisados que esperam encontrar o clássico investigador super inteligente ou, até mesmo nas histórias que não são policiais, um cotidiano simples de personagens brandos.

Busque na Estante Virtual os principais livros de literatura brutalista ou policial dos autores citados neste post:

21.11.2011

Literatura Brasileira no Exterior: os 12 autores nacionais mais lidos no mundo

luana blogou @ 5:14 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades

Ao contrário do que muitos podem pensar, nem só de Paulo Coelho vive a literatura brasileira no exterior. Ainda que, de fato, o escritor tenha entrado para o Livro dos Recordes, o Guinness Book, com sua obra O Alquimista – o livro mais traduzido do mundo (69 idiomas) – outros autores também conquistaram os leitores estrangeiros e vêm alcançando reconhecimento também em outros países. Mas conseguir que um livro seja publicado em outra língua está longe de ser um processo simples e exige muito mais do que talento na escrita.

Segundo o escritor Milton Hatoum, em entrevista ao Portal Literal, apenas 3% dos livros lançados todos os anos nos Estados Unidos são traduções de obras estrangeiras. Além das dificuldades com a tradução, as diferenças culturais também costumam fazer com que o enredo de um livro torne-se desinteressante para o público leitor de outro país. Agnes Krup, diretora da agência literária Sanford J. Greenburger Associates, concorda com a afirmação em entrevista à revista Veja e afirma que “mesmo que um editor americano esteja interessado e por dentro de determinada cultura estrangeira, outras pessoas participarão da escolha dos livros, como o diretor de vendas, o de marketing e o de publicidade, gente que provavelmente não fala uma palavra de outro idioma. Eles não vão apoiar um projeto que torne o trabalho deles mais difícil”. Talvez seja por esse motivo, a proximidade da língua, que alguns países europeus, sobretudo a França, são mais receptivos a traduções de obras brasileiras que os norte-americanos.

No entanto, nomes recentes no mercado literário brasileiro têm desafiado essa tendência e mostrado um avanço significativo na valorização de nossos livros no exterior. Dentre eles, podemos citar o escritor Bernardo Carvalho, que lançou o livro Nove Noites em 11 países e a escritora Patrícia Melo que com o livro Elogio da Mentira já está presente em pelo menos 20 países. Eduardo Spohr, escritor do livro A Batalha do Apocalipse, e Daniel Galera, autor de Mãos de Cavalo, também são apostas de sucesso, assim como o jornalista e estreante no universo literário Edney Silvestre. Seu primeiro romance, Se Eu Fechar os Olhos Agora, será publicado em pelo menos seis países. Mais veterano, Milton Hatoum já teve obras traduzidas para 17 idiomas e exibe na página principal de seu site, as capas de seus livros publicados no exterior.

Outra grande oportunidade para a literatura brasileira no exterior é a Feira de Frankfurt, na Alemanha, o maior evento internacional de livros do mundo que, em 2013, terá o Brasil como o grande destaque. Provavelmente, diversas editoras estarão à procura de autores brasileiros, repetindo a façanha de 1994, quando nosso país também foi destaque na feira e, depois do evento, o número de traduções de livros nacionais aumentou substancialmente, levando a literatura brasileira ao patamar de livros mais traduzidos na Alemanha (sede do evento). No entanto, no final dos anos 90, a falta de continuidade nos incentivos governamentais fez com que o ritmo da presença brasileira no exterior diminuísse consideravelmente.

Mas esse ano, diante da importância do evento de 2013, o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, apresentou o programa federal de estímulo à internacionalização da literatura brasileira. O Programa de Apoio à Tradução e Publicação de Autores Brasileiros no Exterior prevê o investimento de pelo menos R$ 12 milhões ao longo dos próximos dez anos. Entre as várias iniciativas do programa, destaca-se um substancial aumento nos valores das bolsas de tradução e no apoio à reedição de obras de autores nacionais no exterior.

Para o escritor e jornalista norte-americano Benjamin Moser é preciso que o país divulgue mais sua cultura literária no exterior se quiser reconhecimento internacional. “Acho que o Brasil poderia fazer muito mais para promover a literatura brasileira internacionalmente. As pessoas fora do Brasil têm uma ideia muito vaga do país. Acho que desde Carmen Miranda não tem mudado muito”, afirma Moser que, em 2009, publicou Clarice, biografia de Clarice Lispector.

Mas, afinal, quem são os autores nacionais mais lidos no exterior? Em 2009, o projeto Conexões Itaú Cultural organizou o Mapeamento da Literatura Brasileira no Exterior. Já são mais de 192 autores mapeados e dentre eles, vários gêneros literários. Mas os clássicos parecem continuar sendo preferência internacional. Conheça a galeria dos 12 escritores mais lidos no exterior, com base nesse estudo.

Além dos 12 listados, o mapeamento ainda conta com nomes como Gilberto Freyre, Roberto Schwarz, João Ubaldo Ribeiro, Lygia Fagundes Telles, Raduan Nassar, Ferreira Gullar e outros. Confira a relação completa aqui e acesse a “Questão 11 – escritores citados pelo mapeado“.

Gostou? Então, comente este post, compartilhando quais autores também deveriam fazer parte desta lista.

17.11.2011

Qual a sua forma criativa de incentivar a leitura no mundo?

luana blogou @ 5:22 pm / veja outros posts sobre Campanhas e Promoções

As pesquisas apontam: o brasileiro lê pouco. Em média, um livro por ano em oposição à média de 11 livros lidos nos Estados Unidos. Isso mesmo, apenas um livro, excluindo-se as obras didáticas e pedagógicas. Os números são resultado do levantamento Retratos da Leitura no Brasil realizado pelo Instituto Pró-Livro, em 2009. Ainda que os motivos para a pouca leitura sejam muitos e envolvam causas maiores, como o analfabetismo no país, o que chama a atenção nessa pesquisa diz respeito aos 13% que admitiram que não gostam dos livros. Sem falar que dos 95 milhões de leitores brasileiros, 22% afirmaram que leem somente por obrigação! A constatação dos fatos, nos leva a pensar em dois caminhos a seguir: ampliar, sim, o acesso ao livro, mas estimular também a formação de novos leitores.

E não precisa ser nenhum especialista em números para perceber que muitas pessoas ainda não descobriram a magia da leitura. Pensando nisso, o diretor de arte Marcos Felipe lançou um manifesto filmado em prol da leitura. O vídeo já teve mais de 20 mil acessos. Confira!

No vídeo, Marcos Felipe sugere formas criativas de incentivo à leitura entre as pessoas. Essas formas vão desde a leitura no ônibus de trechos de suas obras favoritas até a citação de passagens de autores clássicos em praças públicas. O importante é motivar as pessoas e despertar seu interesse para os livros.

Pensando nisso, a Estante Virtual ficou curiosa e quer saber: e você? Qual a sua forma criativa de incentivar a leitura no mundo? Acesse nosso perfil no Facebook e participe! Basta acessar a aba Incentive a Leitura e comentar em nosso mural. Vale lembrar que uma simples ideia pode mudar o mundo. Então, compartilhe essa ideia!

*Participe também no Twitter, contando sua forma criativa de incentivar a leitura acompanhada da hashtag #incentivealeitura.

14.11.2011

Criação sem limites: a literatura remixada

luana blogou @ 3:35 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades

Literatura remixadaQue o remix é uma ferramenta musical, todo mundo já sabe. Samba no hip-hop, hip-hop no rock, rock no reggae e por aí vai. A mistura de estilos em busca da batida perfeita! Talvez tenha sido pensando nisso, ou melhor, na narrativa perfeita, que o mashup invadiu também a literatura. Jogando-se trechos das obras de diversos autores em um mesmo “liquidificador” literário têm-se como resultado um texto novo, remixado, divertido e pra lá de interessante. Por isso, aproveitamos a semana da música, que começa nesta quarta-feira (16/11), para falar de remix também na literatura.

Ao digitar “literatura remixada” no Google é bem provável que você irá encontrar entre os primeiros resultados, o blog do psicólogo e também escritor Leonardo Villa-Forte. Em 2010, ele criou o MixLit, referência quando o assunto é a criação de textos a partir da seleção, edição e recombinação de trechos de obras de diversos escritores. Segundo Leonardo, o MixLit tem como principal objetivo ressaltar o papel ativo do leitor na criação de sentido de um texto. Significa dizer que você também pode ser autor de um texto quando, ao reunir referências textuais de diversos autores, cria significados/textos para um determinado tema.

Seguindo a mesma proposta na liberdade das criações narrativas, o ex-professor de direito econômico e tributário e escritor Paulo Scott criou, em 2008, a Orquestra Literária. O espetáculo consistiu na apresentação de uma combinação de poemas e textos de prosa de diversos autores brasileiros contemporâneos, inclusive do próprio Paulo Scott, com trechos extraídos de outros escritores. Durante o espetáculo houve música e projeções com imagens – tudo com o intuito de criar uma nova forma de narrativa e oralidade.

E a literatura remixada não é tendência só no Brasil. Em 2010, o escritor norte-americano David Shields lançou o livro Reality Hunger: a Manifesto, onde critica a artificialidade da narrativa de ficção, tida como “sem verdade” e faz uma defesa do ensaio e da livre apropriação de idéias. Na própria obra, o autor faz uso da literatura remixada, utilizando trechos de livros escritos por terceiros. O site Reality Hunger revela alguns desses trechos e indica suas autorias.

Engana-se também quem acha que a literatura remixada é resultado de iniciativas individuais de alguns poucos blogueiros e escritores. Recentemente, a editora Lua de Papel investiu na tendência fazendo grande sucesso com os clássicos da literatura brasileira remixados com elementos fantásticos como vampiros, ETs e lobisomens. O resultado foram obras como Dom Casmurro e os Discos Voadores, de Lucio Manfredi e O Alienista Caçador de Mutantes, de Natália Klein. A Tarja Editorial também lançou sua versão remixada de Memórias Póstumas de Brás Cubas: a obra Memórias Desmortas de Brás Cubas.

Leia também: Mashups Literários – os DJ´s dos Livros

A maior contribuição da literatura remixada parece ser, então, a possibilidade de criação sem limites!

Gostou? Então conheça um pouco do trabalho de um DJ Literário. O trecho abaixo foi retirado do primeiro post publicado no MixLit.

Irrompe!

Havia, primeiro, a memória da infância, com as árvores tão sérias e caladas como pessoas enfeitiçadas. (1) Desculpe, me excedi um pouco, nem parece que tantos anos se passaram, quando me vejo tão exaltado até me esqueço de que aprendi, com a minha, digamos, experiência, não esta que acabo de relatar, tão reles, tão mínima se comparada à outra, que ainda não contei mas vou contar, tenha paciência, vou contar, até me esqueço que aprendi o segredo do mistério, gostaria de saber? (2) Eles têm muitos pensamentos, eu tenho só um pensamento, meu único pensamento vai acabar sendo mais forte que os muitos deles. (3) Há certos tipos de pessoas que têm algo que as distingue dos outros seres humanos. Pessoas assim possuem um instinto geralmente encontrado apenas nas crianças pequenas: o instinto de estabelecer imediatamente um contato vital entre elas e todas as coisas do mundo. (4) Estão acostumadas, é o modo de ser que escolheram, estabilizando-se assim, e mexer nisto fará com que se voltem contra nós, a despeito das nossas melhores intenções. (5) Da terça-feira e da quarta, guardo flashes desconexos. A imagem mais nítida está relacionada ao liquidificador. Acho que fiz uma batida com suco de maracujá, leite condensado, vodca ou tequila e uma mão cheia de comprimidos de diversas cores e calibres. (6)
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Nesse momento sua memória começou a esgarçar, até mesmo a ficar desorientada, como seus passos; em algum lugar, voltou a se deparar com uma praça: perambulou por aléias poeirentas, entre gangorras quebradas, castelos de areia inacabados, passou por bancos largos e pesados, esquecidos de tempos imemoriais. (7) Com a mão no peito e o ouvido atento escutava aquela entediante música sabendo que era ela, afinal, que o permitia durar. A repetição salvava o organismo por dentro, mas por fora era indispensável uma expectativa em relação a surpresas, invasões, derrocadas, saltos súbitos e outros percalços. (8) Quando assim me acontece de abismar-me, é porque já não há lugar para mim em parte alguma, nem mesmo na morte. (9)

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Referências:

[1] Robert MUSIL. O jovem Torless. 1906. Tradução de Lya Luft. Coleção Grandes Romances. Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 1978, p.85.
[2] Flávio CARNEIRO. A confissão. 2006. Editora Rocco. Rio de Janeiro, 2006, p.34.
[3] J.M. COETZEE. Vida e época de Michael K. 1983. Tradução de José Rubens Siqueira. Companhia das Letras. São Paulo, 2ª edição, p.65.
[4] Carson MCCULLERS. A balada do café triste. 1951. Tradução de Caio Fernando Abreu. Círculo do Livro. São Paulo, 1987, p.31.
[5] Nuno RAMOS. Ó. 2008. Editora Iluminuras. São Paulo, 2009, p.207.
[6] Max MALLMAN. Síndrome de Quimera. 2000. Editora Rocco. Rio de Janeiro, 2000, p.58.
[7] Imre KÉRTESZ. O fiasco. 1988. Tradução de Ildikó Suto. Editora Planeta. São Paulo, 2004, p.137.
[8] Gonçalo M. TAVARES. O senhor Calvino. 2004. Casa da Palavra. Rio de Janeiro, 2007, p.58.
[9] Roland BARTHES. Fragmentos de um discurso amoroso. 1977. Tradução de Márcia Valéria Martinez de Aguiar. Martins Fontes Editora. São Paulo, 2ª edição, 2007, p.4.

11.11.2011

As 10 duplas mais famosas da literatura

luana blogou @ 1:47 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades

Engana-se quem acha que só encontrará duplas famosa na música. Para além de Erasmo e Roberto Carlos, John Lennon e Paul McCartney e da dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano, também a mitologia, o cinema, a televisão, a literatura e a própria história estão repletos de parcerias inesquecíveis. E, se pesquisarmos um pouco mais a fundo, ainda descobriremos, segundo o cristianismo, que até mesmo a humanidade teve início com uma dupla: Adão e Eva.

Ninguém há de negar que se relacionar é mesmo uma característica básica do comportamento dos seres humanos. Somos todos seres sociais. O crescimento exponencial das redes sociais é só mais uma prova recente disso. E esta característica humana pode ser, então, a razão que faz das duplas uma fórmula narrativa de sucesso! Algumas duplas deram tão certo que seus personagens são sempre lembrados no imaginário popular. Quem não se recorda, por exemplo, de personagens míticos, que remontam séculos antes de Cristo, como Hermes e Afrodite ou de Rômulo e Remo, fundadores de Roma? Depois, com os contos surgiram mais algumas parcerias famosas como: Pinóquio e Gepetto. Com o aparecimento da TV e do cinema, as duplas se popularizaram de vez. Assista ao trecho do filme Ladrão que Rouba Ladrão, estrelado pela dupla O Gordo e O Magro:

As crianças também são público que se identifica e se encanta com as duplas de personagens infantis como Tom e JerryZé Colmeia e Catatau e os comediantes Didi (Renato Aragão) e Dedé (Manfried Sant’Anna) que até hoje apresentam A Turma do Didi, na TV Globo. E na literatura? Para atestar o sucesso dessas parcerias inesquecíveis, trouxemos uma lista com 10 duplas mais famosas do universo literário. Confira:

As Aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain

Inteligente e aventureiro, Tom Sawyer é um jovenzinho orfão que escapa de casa na companhia de seu melhor amigo Huckleberry Finn e, juntos, são testemunhas de um assassinato. A partir daí, a dupla vive várias aventuras que se seguem na segunda obra do autor, “As Aventuras de Huckleberry Finn”.

Hamlet, William Shakespeare

Hamlet narra a história de como o príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai, o rei, executado por seu tio. Durante sua tentativa de vingança, Hamlet conta com a ajuda de seu fiel amigo e confidente: Horácio.

Batman e Robin

Diretamente dos quadrinhos, Batman e Robin fazem parte de uma dupla de heróis bem conhecida pelos leitores. Além de aparecerem nos gibis, eles também já foram sucesso nas telonas do cinema.

Dom Quixote, Miguel de Cervantes

Nesta obra de Miguel de Cervantes, Dom Quixote, um homem de meia idade, se entrega à leitura de romances de cavalaria e enlouquece, decidindo tornar-se um cavaleiro tal qual nas histórias que lê. Ao seu lado, seu fiel escudeiro, Sancho Pança, o segue, apesar de suas diferenças de personalidade.

O Guia do Mochileiro das Galáxias, Douglas Adams

Ao descobrir que a Terra está prestes a ser destruída e que seu melhor amigo, Ford Prefect, é um extra-terrestre, Arthur Dent vive verdadeiras aventuras no espaço, sempre auxiliado pelo Guia do Mochileiro das Galáxias.

O Misterioso Caso de Styles, Agatha Christie

Nos moldes da dupla Sherlock Holmes e Watson, Hercule Poirot, criação da escritora Agatha Christie, é um detetive que conta com a ajuda do Capitão Hastings para desvendar seus mistérios. Embora as conclusões de Hastings nem sempre estejam corretas, elas ajudam no raciocínio de Poirot. A dupla reaparece em várias obras da autora.

O Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, Thomas Malory

O Rei Arthur é uma importante figura britânica que teria comandado a defesa da Grã-Bretanha contra os invasores saxões no início do século VI. Ao seu lado, esteve Lancelote, seu melhor cavaleiro e mestre-de-armas. Ao longo da história, os dois disputam o amor da rainha Guinevere.

O Romance de Tristão e Isolda, Joseph Bédier

Nos moldes de Romeu e Julieta, a lenda narra o amor trágico entre o cavaleiro Tristão e a princesa Isolda. Acidentalmente, ambos bebem uma poção do amor e apaixonam-se perdidamente. Mesmo casando-se com outro, Isolda mantém o romance secreto.

On the Road, Jack Kerouac

Tradução do estilo de vida da juventude estadunidense dos anos 60, a obra narra a viagem de dois jovens: Sal Paradise e Dean Moriaty, que atravessam os Estados Unidos de costa a costa. Reza a lenda que Sal Paradise seria o próprio Jack Kerouac, autor do livro.

Robinson Crusoé, Daniel Defoe

Vinte e três anos depois de viver isolado em um ilha, após um naufrágio, o aventureiro Robinson Crusoé conhece Sexta-Feira. Os dois formam uma grande amizade e deixam de lado até mesmo as diferenças culturais e de língua.

O fato é que as duplas deram tão certo na literatura que alguns escritores também decidiram se aventurar na parceria da escrita. No livro Cabeça de Porco, lançado em 2005, o antropólogo Luiz Eduardo Soares e o rapper MV Bill relatam e analisam a violência urbana no Brasil, sobretudo, no que diz respeito a realidade das favelas e do tráfico de drogas. Mais recentemente, foi a vez de Ziraldo e Mauricio de Sousa lançaram sua obra conjunta: O Maior Anão do Mundo, na Bienal do Livro de 2011. O livro narra a história de Julius, um jovem que, mesmo com seus dois metros e oitenta e cinco de altura, era um anão e buscava a fama.

Gostou? Então participe também, comentando este post e dizendo qual a sua dupla favorita.

08.11.2011

Blogs e microblogs de sucesso viram livros físicos

agostinho blogou @ 1:04 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades

Ao longo dos últimos anos, a máquina de escrever deu lugar ao computador para o auxílio no ato da escrita. Acabou aquele romântico tec-tec, mas, por outro lado, nos livramos das letras sobrepostas quando se errava alguma palavra. Junto com os modernos editores de textos, surgiram também novos escritores que nunca sequer tocaram em uma Olivetti. Porém, a revolução na forma de escrever não se deteve à ferramenta, mas também ao meio. Do físico para o virtual, muitos autores começaram então a utilizar a internet para escrever seus livros, através de blogs ou microblogs como o Twitter.

Livro www.twitter.com/carpinejarO escritor e jornalista Fabrício Carpinejar, ganhador do Prêmio Jabuti 2009 na categoria Contos, Crônicas e Novelas com o livro Canalha, lançou em 2009 o livro www.twitter.com/carpinejar, no qual o autor reuniu 416 dos quase mil tuítes que ele possuía no microblog que dá origem ao título do livro. Carpinejar possui hoje mais de 132 mil seguidores, e é um dos perfis mais acompanhados do meio literário brasileiro. Nos tuítes, o autor comenta trivialidades da vida cotidiana, compondo diversas crônicas em apenas 140 caracteres.

O ator, comediante e escritor norte-americano Steve Martin prometeu lançar em breve um livro reunindo também seus melhores tuítes, além das retuitadas de outros usuários que ele acredita que valham a pena. O humorista possui quase 2 milhões de seguidores no microblog, e é bastante assíduo na atualização. Steve Martin anunciou, no Twitter, de forma bem irreverente como era de se esperar: “Devido à absolutamente nenhuma demanda, vou publicar um livro dos meus tuítes em breve. Muitas das respostas de vocês estão inclusas! Todos os lucros para a caridade”. O livro se chamará “The Ten, Make That Nine Habits, of Very Organized People. Make That Ten” (em tradução livre “Os dez ou nove hábitos das pessoas muito organizadas”), e tem seu lançamento previsto para o primeiro semestre de 2012.

Os blogs também têm sido um meio muito utilizado para a criação de livros físicos. Rob Gordon, autor do blog Championship Chronicles, decidiu passar 24h na frente do computador escrevendo crônicas sobre temas sugeridos pelos visitantes. O resultado foi o livro 24 horas, 48 crônicas, no qual o autor incluiu as 24 crônicas que escreveu durante esse dia inteiro e mais outras 24 que ele teve a inspiração durante o desafio.

Outros blogs ganharam tanto destaque na blogosfera nacional que acabaram virando livro físico. Um deles é o blog Mothern, que deu origem ao livro Mothern – Manual da mãe moderna, em que as autoras Juliana Sampaio e Laura Guimarães contam suas experiências como mães modernas. O último prêmio da Editora BlogBooks escolheu 12 blogs para se materializarem em livros. Dentre os livros lançados, estão o Deu no Blogão (do blog do dramaturgo Aguinaldo Silva), o Mensagens e Testemunhos, do blog religioso de Salette Ferreira, o Guanabara.info, do blog sobre tecnologia de Gustavo Guanabara, e o livro Papo de Homem, do blog sobre “universo masculino” de Guilherme Valadares.

Você conhece outros blogs ou microblogs que viraram livros? Comente esse post e compartilhe com os leitores do portal.

04.11.2011

Livros e curiosidades sobre propaganda e publicidade

luana blogou @ 2:18 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades

Seja no rádio, na revista ou na televisão, diante dela, todos sabem identificá-la. Mas afinal qual o significado de uma propaganda? No Brasil, apesar de usada como sinônimo de publicidade, seu sentido vai muito além de divulgar um produto ou serviço com objetivos comerciais. Isso, sim, é tarefa da publicidade! Já a propaganda envolve também o fato de tornar público uma ideia ou ideologia, vide a propaganda nazista em tempos de Segunda Guerra Mundial e a propaganda militar, veiculada até mesmo no cinema, durante a ditadura no Brasil. Mas deixanda a curiosidade do troca-troca vocabular de lado, hoje é Dia da Propaganda, e em homenagem a essa atividade inegavelmente importante, preparamos um conteúdo especial aqui no blog. Confira!

Um pouco de história…

Reza a lenda que a propaganda no país teve início em 1808 quando nascia nosso primeiro jornal impresso: Gazeta do Rio de Janeiro. O anúncio mais antigo de que se tem notícia se assemelhava a um classificado e buscava compradores para um imóvel. Mas, somente vinte anos depois, em 1821, que surgia o primeiro jornal que firmava a prática de juntar informação e propaganda: o Diário do Rio de Janeiro. Anúncios de imóveis, artesanato, serviços de profissionais liberais e até venda de escravos tornaram-se, então, assuntos corriqueiros da época. Em 1860 somaram-se aos jornais, os panfletos, folhetos e cartazes de propaganda.

Foi nesse período, de intensa industrialização e urbanização no Brasil, que a propaganda ganhou relevância. A ida da população para as zonas urbanas criava um mercado em potencial para os produtos das empresas. Mas havia um desafio: criar novos hábitos de consumo, já que a população não conhecia tais produtos. A marca de creme dental Kolynos, por exemplo, distribuía amostras e fazia demonstrações nas escolas públicas. Já a Walita disponibilizava cursos para ensinar as mulheres a usar o liquidificador e a batedeira. Mas o trabalho educativo pesado ficava mesmo por conta dos anúncios em jornais e revistas e dos comerciais e textos nas emissoras de rádio e, posteriormente, na televisão. Para educar a população para o consumo, as primeiras propagandas eram predominantemente textuais e se preocupavam ao máximo em apresentar o produto e ensinar o consumidor como usá-lo. Veja os exemplos abaixo.

Primeiros Anúncios no Brasil

Foi somente no início do século XX que a propaganda passou a ser vista como a alma do negócio e ganhou ares profissionais. Com o surgimento do rádio, na década de 30, e da televisão, na década de 50, novas plataformas de veiculação de anúncios foram inauguradas. Agora a propaganda podia vir em formato de jingles, comerciais ao vivo ou programas inteiros como o Repórter Esso, patrocinado pela marca de combustíveis. E foi também nessa época que surgiram as primeiras agências de publicidade que, inicialmente, se dedicavam à venda de espaço publicitário para anúncios e, mais tarde, evoluíram também para a elaboração de conteúdo.

O garoto propaganda mais famoso do Brasil

Logo a propaganda caiu no gosto popular. Quem não se lembra, por exemplo, de Carlos Moreno, o garoto Bombril? Com seu bom humor e pitadas de ironia, ele inaugurou um novo estilo de vender produtos na televisão. Não é à toa que, em 1994, a campanha da Bombril, criada pela agência de publicidade DPZ, foi para o Livro dos Recordes, o Guiness Book, como a série de publicidade mais longa do mundo. Assista o primeiro comercial de Carlos Moreno:

Gostou? Então confira também uma seleção especial de livros que abordam a propaganda, a biografia de importantes publicitários e a história de agências de publicidade de sucesso. Aproveite para comentar este post dando a sua dica de livro sobre o tema. Estamos esperando!


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