Blog da Estante Virtual

31.10.2011

Literatura na passarela da moda

luana blogou @ 2:01 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades

Para um olhar mais desatento pode até parecer que moda e literatura são assuntos “nada a ver”, isto é, que não possuem nenhuma relação entre si. Mas um pouco mais de atenção e veremos que a matéria-prima de ambos é a mesma: criação e narrativa. Tanto o universo literário quanto as passarelas da moda têm como objetivo contar uma história e impactar o público espectador. Além disso, assim como os escritores, os estilistas e designers de moda também se inspiram em elementos do real (ou do imaginário) para criarem suas coleções. A troca entre literatura e moda é tão intensa que não é raro ver livros que falem sobre o universo fashion, ou tragam a temática como pano de fundo, e escritores e obras literárias servindo de inspiração nas passarelas.

Desde os primórdios da humanidade que o fascínio pelas cores, tecidos e formas está representado na literatura. Em sua tragédia Medéia, Eurípedes demonstra o fetichismo da moda ao narrar a história de uma mulher que, passados os tempos áureos de sua juventude, se vê desprezada no amor quando Jasão, seu companheiro, a abandona em troca de uma mulher mais jovem. Para se vingar, Medéia, então, decide seduzir sua rival com uma peça de roupa. Já no universo dos chick-lits (literatura feminina), a moda é sempre tema recorrente. Quem não se lembra de O Diabo veste Prada ou Os Delírios de Consumo de Becky Bloom?

Trazendo a temática para as passarelas da moda, o universo literário também já foi inspiração de muitos estilistas que pautaram suas criações em livros e escritores. Figurinha já conhecida por adaptar elementos da literatura em suas coleções, o estilista Ronaldo Fraga já prestou homenagem ao escritor João Guimarães Rosa, em 2006, com a coleção A cobra: ri, inspirada na obra Grande Sertão: Veredas. E no ano anterior, foi a vez do poeta Carlos Drummond de Andrade receber a homenagem.

Dom Quixote, O Pequeno Príncipe, Alice no País das Maravilhas, Chapeuzinho Vermelho são alguns dos personagens que já motivaram estilistas e designers de todo o mundo a desenvolverem peças de vestuário baseadas em elementos e características de suas histórias. Estilistas como Gisele Nasser e grifes como Triton, Maria Bonita Extra e Cantão já invadiram as passarelas tendo a literatura como inspiração. Este ano, foi a vez da grife Levi´s pautar toda sua coleção e campanha publicitária em um poema de Charles Bukowski. Confira o vídeo!

Outras iniciativas mais indiretas também têm contribuindo para tornar essa ligação entre moda e literatura cada vez mais presente. A loja online, Out of Print, é uma dessas iniciativas. Ela faz blusas, casacos e bolsas inspirados em livros clássicos e a cada venda doa um livro para o projeto Books for Africa que leva livros a crianças do continente. Outras iniciativas partem dos próprios leitores que customizam peças de roupas com seus personagens favoritos.

Gostou? Então confira nossa galeria de imagens com exemplos do elo entre moda e literatura.




28.10.2011

Em comemoração ao Dia Nacional do Livro, vídeos sobre o prazer da leitura

agostinho blogou @ 1:16 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades

Em abril deste ano, a Estante Virtual comemorou o Dia Mundial do Livro de uma maneira diferente: através do desafio Ler com Prazer convocou os leitores para romperem com as regra tradicional de leitura e demostrarem, em vídeo, que “toda maneira de ler vale a pena”. Agora, para marcar o Dia Nacional do Livro, comemorado no dia 29 de outubro, fizemos uma seleção na internet de outros vídeos que, assim como os finalistas do desafio Ler com Prazer, falam sobre a importância do livro e mostram, de forma criativa, o prazer da leitura.

O primeiro vídeo que escolhemos é uma bela homenagem de Mariana Ximenes, Felipe Camargo , Laura Cardoso, Denise Fraga e Leandra Leal ao autor português José Saramago. No vídeo, os atores se emocionam ao ler um trecho de Ensaio sobre a cegueira:

Encontramos também dois vídeos que de formas bem originais chamam a atenção para o poder do livro e, consequentemente, da leitura. No primeiro, “Ler devia ser proibido”, alunos do curso de Publicidade e Propaganda da UNIFACS apontam que ler pode ser “perigosamente” transformador. Já no segundo, o foco é a “revolução tecnológica” promovida por um dispositivo chamado “Book” (livro em português).

O poder dos livros de materializar seus personagens em nossa imaginação é apresentado de uma maneira muito singela nesse curta-metragem espanhol que baseou-se na história de José Saramago, do livro A maior flor do mundo, para apresentar personagens marcantes do autor. A animação é super bem feita e faz uma leitura mais ambiental do livro de Saramago.

Além de ler com prazer, existe algo melhor do que comentar com os amigos as nossas leituras? Sim, compartilhar nossas impressões com milhares de outros leitores . É cada vez maior o número de blogueiros que descobriram esse prazer e postam vídeos sobre os livros que estão lendo, além de preciosas dicas de leitura. Nos vídeos que escolhemos, Pâmela Gonçalves, do blog Garota It, comenta sua leitura de Em Chamas de Suzzane Collins; O Herói Perdido de Rick Riordan; Cidade das Cinzas de Cassandra Clare e Arizona de Eden Maguire. No segundo vídeo, a professora e blogueira Tatiana, do Tiny Little Things, comenta os livros que mudaram sua vida, entre eles estão Histórias Extraordinárias de Edgar Allan Poe; O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Bronte e Crime & Castigo de Dostoiévski:

Os dois últimos vídeos que selecionamos para comemorar o Dia Nacional do Livro mostram que o prazer de ler não tem idade nem obedece a gêneros literários. Em um deles, a avó da blogueira Fernanda Assis, do Viagem Literária, dá sua opinião sobre o livro Lua das Fadas de Eddie Van Feu, um livro infanto-juvenil. E o último mostra de forma contagiante que nunca é cedo demais para se divertir com um livro.

Gostou da homenagem? Comente este post e compartilhe com seus amigos nas redes sociais! Se você conhece algum outro vídeo sobre livros, fique à vontade para dar a dica nos comentários.

25.10.2011

A volta das fotonovelas

luana blogou @ 1:55 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades

Fotonovelas

Consideradas durante muito tempo como um subgênero da literatura, as fotonovelas consistem em quadrinhos que utilizam da força da fotografia para contar histórias. Em geral, elas são divididas em capítulos cujo desfecho em clima de suspense desperta a curiosidade do leitor para sua continuação. Essa característica narrativa é o que aproxima as fotonovelas dos romances-folhetins do século XIX, apesar de terem surgido bem depois, no século XX, em meados da década de 40, na Itália.

O neo-realismo italiano, tendência em voga no período, determinou a temática cotidiana, urbana e realista presente nas fotonovelas. Stefano Reda e Damiano Damiani são considerados os pioneiros dessa nova literatura que se inspirava, sobretudo, no cinema. Adaptações de filmes de sucesso como O Conde de Monte Cristo, O Morro dos Ventos Uivantes e A Dama das Camélias tornaram-se fotonovelas de sucesso. Logo, elas ganharam um público cativo, visto que o acesso ao cinema ainda era restrito e a difusão da televisão era limitada.

No Brasil, as primeiras fotonovelas publicadas de que se tem notícia foram da revista Encanto, embora as revistas Grande Hotel e Capricho tenham alcançado fama ainda maior, no início dos anos 50. Na década de 70,  enquanto a televisão ainda era luxo de poucos, as fotonovelas atingiram seu auge e se popularizaram. Nessa época, mais de 20 revistas de fotonovelas chegaram a circular no país, publicadas por várias editoras, entre elas Bloch e Abril. Enquanto a maioria importava as fotonovelas da Itália, a Bloch produzia sua própria revista. Sucesso de época, a revista Sétimo Céu, trazia grandes celebridades da televisão e do rádio. Uma das edições mais famosas chegou a ter o cantor Roberto Carlos como protagonista da história. Tony Ramos, Antonio Fagundes e Regina Duarte são outras personalidades que participaram de fotonovelas.

As fotonovelas modernas

Depois do grande sucesso no Brasil durante os anos 50, 60 e 70, as fotonovelas perderam sua força. Mas, recentemente, voltaram à cena: agora, repaginadas e em rede. As fotonovelas contemporâneas usam a tecnologia a seu favor, e agregam a narrativa consagrada no passado a manipulações visuais, animações em flash, trailer e até mesmo trilha sonora.

Criado em 2006 pelo designer e escritor curitibano Fabiano Vianna, o site O Crepúsculo é uma referência dessa nova roupagem das fotonovelas. Juntamente com uma equipe de fotógrafos e atores, as histórias do site contam com recursos de flash e efeitos de som e música. O enredo sofre influência não só do cinema e da televisão, mas também da música, dos quadrinhos, da literatura e das artes, sobretudo, a pop-art.

A disponibilidade em tempo real, em todas as partes do mundo, e o custo baixo têm sido atribuídos às fotonovelas como fatores de seu sucesso entre os internautas. Os capítulos ficam disponíveis para quem quiser assistir e os atores, pessoas comuns, muitas vezes são recrutados entre os próprios internautas com perfis em redes sociais. São as fotonovelas se aproximando novamente do cotidiano.

Ficou curioso, então, assista ao trailer da fotonovela A Infiel, do site O Crepúsculo.

Gostou? Então compartilhe sua opinião, comentando este post.

20.10.2011

11 títulos inusitados de livros encontrados na Estante Virtual

agostinho blogou @ 2:05 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades

Aproveitando que no mês de outubro comemoramos o Dia das Crianças, decidimos realizar uma pesquisa descontraída sobre os títulos de livros que encontramos nos mais de 8 milhões de livros cadastrados na Estante Virtual. Mas não foi qualquer pesquisa, demos ênfase aos títulos mais inusitados, muitos deles indicados por leitores na lista de sugestões de leitura para as férias. Veja só o que encontramos!

Como falar dos livros que não lemos - Pierre BayardQuem nunca conheceu alguém que comenta todos os clássicos da literatura, que parece já ter lido todos os livros do universo, e está por dentro de todos os lançamentos? Preste bem atenção, essa pessoa pode ter lido Como falar dos livros que não lemos, de Pierre Bayard.

Ainda na série dos manuais de instrução, temos mais quatro livros com títulos um tanto curiosos. Existem mais de 6 mil idiomas falados no mundo. Porém, nenhum deles se refere à língua dos dragões. Isso não foi problema para Cressida Cowell, que lançou o livro infanto-juvenil Como falar dragonês — da série Como treinar seu dragão. Alguns títulos de livros podem ser um tanto ambíguos. Instruções para salvar o mundo, de Rosa Montero, é um deles. Apesar de “sustentabilidade” ser uma palavra que está em voga e o título levar a crer que saberemos mais sobre o meio-ambiente, o livro se trata de um romance que em nada tem a ver com ser sustentável.

Outro título de livro de instruções que talvez não possa ajudar muito a nossa sociedade é Como se livrar de um vampiro apaixonado, de Beth-Fantaskey. Os motivos, nesse caso, são quase óbvios. Existe um best-seller de autoajuda que também tem um título que dá medo: Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carnegie. Você já pensou se algum amigo seu leu esse livro antes de tornar-se seu amigo, ou se você está sendo influenciado por leitores desse título?

Compre o livro A Sociedade Literária e a torta de casca de batataNa sessão dos que podem dar nojo, mas mesmo assim foram publicados, encontramos três livros inusitados: Até as princesas soltam pum, de Ilan Brenman (autor de outro livro intitulado Pai, todos os animais soltam pum?). O terceiro livro é da área de medicina e saúde, mas poderia ter sido um pouco mais sutil no título: O que o seu cocô está dizendo a você, escrito por Josh Richman.

Existe um título que até começou bem, mas no final deixou muita gente sem entender nada (no bom estilo “leia o livro e entenda”): A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows. Outro título que não diz muito para que veio, mas que é engraçado somente de ser pronunciado é Saracoteios, tateios e outros meneios, de Camilo José Cela.

Para finalizar nossa lista de títulos inusitados de livros que encontramos na Estante Virtual, escolhemos dois que estão mais ligados ao nosso dia-a-dia. O homem que odiava a segunda-feira, de Ignácio de Loyola Brandão — título que poderia ser substituído por “O homem comum” — e Ninguém tropeça em montanha, de Tadashi Kadomoto a não ser que venhamos a viver em uma terra de titãs, essa é uma verdade universal.

Você conhece outros livros com títulos engraçados ou inusitados? Comente este post e compartilhe com os leitores da Estante Virtual.

 

11.10.2011

No Dia das Crianças, conheça os 12 livros que mais marcaram a infância dos leitores

luana blogou @ 4:18 pm / veja outros posts sobre Campanhas e Promoções e Estante Virtual

Livros como O Pequeno Príncipe e Reinações de Narizinho, autores como Pedro Bandeira e Monteiro Lobato. E, é claro, não podemos esquecer, a saudosa Coleção Vagalume! Durante a infância, eles foram companheiros fiéis, desvendaram mundos, entreteram, ensinaram grandes lições de vida e, portanto, por motivos mais do que justos, figuram entre as principais memórias dos leitores quando o assunto é retornar à infância.

Na última sexta-feira, 07 de outubro, em homenagem ao Dia das Crianças, a Estante Virtual perguntou em sua fanpage no Facebook: qual livro marcou sua infância? A nostalgia tomou conta do espaço e as respostas foram para lá de diversificadas. De gibis como os da Turma da Mônica, passando pela obra O Menino Maluquinho e chegando até livros nem tão infantis assim, como O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger e A Maior Flor do Mundo, de José Saramago.

Mas peraí! Rebobina a fita. A Jaquee Ribeiro, leitora que integra a fanpage da Estante Virtual no Facebook tem uma colocação a fazer: um livro que marcou minha infância? “Mas minha infância nem acabou ainda”, afirma ela. De fato, está comprovado: ser jovem é um estado de espírito! Até mesmo o estadista Marco Túlio Cícero, ainda na Roma Antiga, sabia disso. Ele dizia com louvor: “os livros são o alimento da juventude”! É que mesmo depois de nos tornarmos adultos, a literatura infantil continua fazendo parte das nossas histórias. Que o diga a leitora Camila Gasparin da Fonseca que voltou a ler O Aprendizado da Pequena Árvore, ou então, o Germano Pontes, que até hoje sabe de cor e salteado a história dos Karas em A Droga da Obediência. E temos ainda o  Edivaldo Calabrezi que declarou ler livros infanto-juvenis com frequência. Já a Marcelli Martins, há duas semanas, comprou, na Estante Virtual, Quem matou Honorato, o rato para reler para os seus alunos.

Você também se lembra do livro que mais marcou sua infância? Então, confira, agora, os 12 livros que mais marcaram a infância de nossos leitores. Quem sabe, sua obra não está entre eles…

Se você também tem um livro que marcou sua infância, compartilhe com a gente. Acesse a aba Dia das Crianças em nossa fanpage no Facebook e diga o título e o autor do livro infantil que mais marcou a sua infância. Estamos aguardando curiosos!

07.10.2011

Dia das Crianças: Qual livro infantil marcou sua infância?

luana blogou @ 5:35 pm / veja outros posts sobre Campanhas e Promoções

Talvez você nem se lembre quando eles entraram em sua vida. É provável que, primeiramente, eles tenham adentrado o seu universo com a permissão dos seus pais. Mas com o passar do tempo, foi você quem começou a buscar por eles. Fadas, duendes, vampiros, super-heróis, meninos e meninas assim como eu e você … Ninguém há de negar que o universo infantil (e de alguns adultos também) é habitado por inúmeros personagens, alguns deles saídos diretamente dos livros. Eles expandiram nossa imaginação, criaram novos mundos, nos ajudaram a lidar com situações do cotidiano e nos passaram muitas lições de vida que ficam marcadas para sempre em nossa história!

Por isso, nesse Dia das Crianças, a Estante Virtual quer saber: qual livro infantil marcou sua infância? Visite nossa fanpage no Facebook e participe.

A advogada Daniele Vital lembra bem de seu livro infantil favorito: um clássico da literatura! “O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, foi o livro mais marcante da minha infância porque ele mexe muito com a imaginação de quem lê ao contar como é a vida do pequeno príncipe no país em que vive e como foi sua visita em outros países até conhecer a Terra”, afirma Daniele. E ainda que não tenha se identificado com nenhum dos personagem, a advogada carioca nunca mais se esqueceu da mensagem principal do livro. “O personagem principal aprende o que significa amar alguém, inclusive a rosa que ele tinha em seu país. Ele descobre que vale a pena amar alguém ainda que no caminho existam sofrimentos, afinal, as tristezas que encontramos são pequenas perto das alegrias que o amor traz”.

Para Daniele, nesta obra, o narrador também tem papel fundamental. “Ele, por sua vez, escolheu a profissão de piloto porque o desestimularam a desenhar quando criança, mas ao longo do livro aprende com o Pequeno Príncipe que todas as pequenas coisas da vida e do dia-a-dia tem um valor inestimável”. A partir daí, a advogada confessa que leva uma lição para toda a vida: “não devemos desistir das coisas que gostamos ou temos vontade de fazer somente porque as pessoas ao nosso redor não acreditam na nossa capacidade”, revela.

Mesmo após anos de sua primeira leitura, o jornalista Rafael Vargas nunca se esqueceu da obra Flicts, de Ziraldo. “Ela marcou muito minha infância porque narra a história de uma cor procurando o seu lugar no mundo. Como eu desenhava bastante quando criança e vivia no meu mundo da lua, viajava sobre esta questão a minha maneira”, conta Rafael. Ele afirma que a conclusão do livro é sensacional! “É que, segundo a obra, Flicts é a cor esquecida. Mas a lua é flicts. Então, quando deseja encontrar esse tom, olhava a lua e procurava por lá”, lembra. Rafael afirma que não se lembra de uma lição que o livro tenha passado, mas uma coisa ele garante:  “ficou o cheiro do livro e as páginas coloridas”.

Participe você também! Acesse a aba Dia das Crianças em nossa fanpage no Facebook e diga o título e o autor do livro infantil que mais marcou a sua infância. Estamos curiosos!

05.10.2011

Do outro lado do balcão: conheça escritores que já foram livreiros

luana blogou @ 3:37 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades e Sebos e livreiros

No prefácio da obra Eu queria um livro: antologia de contos e cenas livrescas, o autor e roteirista de cinema Rubem Fonseca afirma: “a minha ideia de paraíso é uma livraria”. Apesar de ser conhecido por não escrever prefácios de livros, Rubem Fonseca afirma que sentiu-se seduzido pelos contos de 16 livreiros reunidos nesta obra organizada pelo escritor, e também livreiro, Leandro Müller. Decidido, então, a burlar sua própria tradição, Rubem Fonseca prestou homenagem a todos os livreiros, que segundo ele, permitiram que em sua infância passasse grande parte do seu tempo nas livrarias, folheando livros e lendo muitos títulos. Outros autores foram além e, seduzidos pelo encanto das estantes e prateleiras repletas de livros, decidiram pular o balcão tornando-se livreiros ou vivenciando a experiência por um tempo.

A Shakespeare & Company, livraria localizada em Paris, e fundada em 1919, tornou-se famosa não só por ser referência de literatura inglesa em terreno francês. Parte de seu reconhecimento advém do fato de o local ter abrigado, no período entre guerras, muitos escritores que em troca de cama e comida, vivenciaram de perto a experiência de vender livros. Ernest Hemingway, Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald, Gertrude Stein são alguns dos nomes famosos da literatura que passaram parte de seu tempo na livraria, aprendendo sobre a rotina de um livreiro e vivenciando as experiências de quem vive da venda de livros. O escritor de origem irlandesa, James Joyce, chegou a fazer do local seu próprio escritório. Da amizade particular com Sylvia Beach, fundadora da Shakespeare & Company, surgiu a oportunidade de publicar, em 1922, o livro Ulisses, uma das principais obras do autor e por vezes rejeitada por inúmeros editores. Reza a lenda que a livraria foi fechada, em 1941, durante a ocupação alemã, porque Sylvia teria negado a um oficial alemão a última cópia de outra obra do autor: Finnegans Wake.

Em 1951 foi a vez de George Whitman “reabrir” a Shakespeare & Company em tributo a Sylvia Beach. E novos autores, 40 mil segundo o próprio empresário, foram convidados a passar por lá e ajudar no trabalho de livreiro. Foi então que Henry Miller, Samuel Beckett, Anaïs Nin e outros puderam passar algumas tardes dividindo o tempo entre a leitura, a escrita e a venda de livros. Jeremy Mercer, jornalista canadense que viveu na livraria escreveu o livro Um livro por dia: minha temporada parisiense na Shakespeare and Company sobre o dia-a-dia da livraria e os personagens ilustres que já circularam no local. Atualmente a loja está sobre a administração da filha de George Whitman, Sylvia Beach Whitman, e permanece com a tradição de permitir que jovens escritores vivam e trabalhem na livraria.

Mesmo sem terem tornado-se livreiros, outros autores famosos já manifestaram seu interesse pelo dia-a-dia das livrarias, à semelhança de Rubem Fonseca. George Orwell, autor de 1984 e revolução dos bichos, já declarou que passou dias felizes dentro de uma livraria e chegou a se questionar se seria um bom livreiro. Para responder a essa pergunta e atender o desejo de muitos escritores em tornarem-se livreiros, na Inglaterra, a Associação de Vendedores de Livros convidou vários autores a irem até suas livrarias preferidas e passarem um tempo lá exercendo funções de um livreiro, como organizar os livros nas estantes e vender os exemplares aos leitores que frequentam os locais. A iniciativa, conhecida como Strictly Come Bookselling foi apenas uma das atividades organizadas pela associação para celebrar a Semana de Livreiros Independentes.

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