Blog da Estante Virtual

31.03.2011

No Dia da Mentira, livros e personagens que abordam o tema

agostinho blogou @ 5:43 pm / veja outros posts sobre Livros e Autores e Novidades e Curiosidades

O dia 1º de abril é conhecido em diversos países como o Dia da Mentira, por conta da adoção do calendário gregoriano há quase 500 anos na França, o que gerou bastante confusão. Como o ano novo era comemorado dia 25 de março e as festas duravam uma semana, até 1º de abril, algumas pessoas não concordaram com o novo calendário e viraram alvo de constantes brincadeiras, recebendo até convites para festas que não existiam. Desde então, nesse dia, as mentirinhas de brincadeira se tornaram um costume em vários países. Já na literatura, são muitos os casos de personagens mentirosos, independentemente do dia, e de livros que abordam a mentira como tema.

Um dos primeiros personagens a mentir que se tem notícia na literatura é Penélope, esposa de Ulisses, na Odisseia de Homero. Ela mente para seus pretendentes dizendo que somente escolherá um deles para se casar após a finalização de sua colcha. Isso ocorre enquanto Ulisses está desaparecido, e para ganhar tempo enquanto espera a volta de seu marido, todas as noites ela desfia parte da colcha para que o dia da escolha nunca chegue.

Outro personagem bastante conhecido do público infantil e que não perde a oportunidade de contar uma mentirinha é o boneco Pinóquio. Quem nunca falou para alguém que seu nariz iria crescer se a pessoa continuasse contando mentiras? Pinóquio surgiu em 1883 no livro As aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi, e desde então vem encantando gerações, mesmo sendo um bonequinho muito mentiroso!

Existem também livros sobre mentirosos que foram parar no cinema. Esse é o caso de Prenda-me se for capaz, de Frank W. Abagnale, que conta a história verídica do próprio autor, um falsificador que se passou por médico, advogado, piloto de avião e professor. Outro livro sobre um mentiroso que ganhou versão para as telonas recentemente, desta vez brasileiro, é Vips – Histórias Reais de um Mentiroso, de Mariana Caltabiano. Bem parecido com a história de Abagnale, o livro é sobre um estelionatário brasileiro chamado Marcelo Nascimento, que aplicou vários golpes se passando por outras pessoas.

Um livro de crônicas muito divertido que também aborda a mentira como tema é As Mentiras que os Homens Contam de  Luis Fernando Veríssimo. As crônicas revelam que não se pode escapar das mentiras e dissimulações dos homens e mulheres, pois isso faz parte do ser humano, e contam situações engraçadíssimas do cotidiano.

Você se lembra de mais algum personagem mentiroso ou algum livro que aborde o tema? Não deixe de comentar esse post, mas não vale contar mentira!

 

28.03.2011

As capas de livros pelo mundo

agostinho blogou @ 5:41 pm / veja outros posts sobre Livros e Autores

Quem pensa que as capas de livros são iguais em todas as partes do mundo está redondamente enganado. Cada país tem sua cultura, sua tendência de design gráfico e suas peculiaridades. E para cada edição de um livro em um língua diferente, uma nova capa é desenhada considerando todos esses fatores, chegando a ser totalmente diferentes em alguns casos, e muitas pessoas, apesar do dito popular, ainda julgam um livro pela capa.

No livro Bufo & Spallanzani, de Rubem Fonseca, podemos notar algumas dessas diferenças nas capas das edições lançadas em Portugal, França, Estados Unidos e Alemanha. Cada uma mais diferente que a outra, porém contendo sempre um pouco do conceito do livro.

Bufo & Spallanzani - Brasil Bufo & Spallanzani - Alemanha Bufo & Spallanzani - EUA Bufo & Spallanzani - França Bufo & Spallanzani - Portugal
 

Brasil

 

Alemanha

 

Estados Unidos

 

França

 

Portugal

Clássico da literatura brasileira, o mestre Machado de Assis também teve alguns de seus livros traduzidos em vários países. E Memória Póstumas de Brás Cubas, por exemplo, teve capas diferentes na França, Inglaterra, Estados Unidos e Alemanha.

Memórias Póstumas de Brás Cubas - Brasil Memórias Póstumas de Brás Cubas - Alemanha Memórias Póstumas de Brás Cubas - EUA Memórias Póstumas de Brás Cubas - França Memórias Póstumas de Brás Cubas - Inglaterra
 

Brasil

 

Alemanha

 

Estados Unidos

 

França

 

Inglaterra

Primeiro colocado há meses na lista dos 500 livros mais vendidos da Estante Virtual, Vidas Secas de Graciliano Ramos segue a mesma tendência e ganha capas um tanto peculiares ao redor do mundo. O livro foi traduzido e lançado até na Hungria!

Vidas Secas - Brasil Vidas Secas - EUA Vidas Secas - Hungria Vidas Secas - Holanda Vidas Secas - Portugal
 

Brasil

 

Estados Unidos

 

Hungria

 

Holanda

 

Portugal

Harry Potter, o bruxo mais adorado do mundo, recebeu as mais diferentes capas para o livro Harry Potter e a Pedra Filosofal de J. K. Rowling. Com certeza, suas capas são as mais interpretadas, e alguns países merecem destaque pela originalidade.

Harry Potter e a Pedra Filosofal - Brasil Harry Potter e a Pedra Filosofal - EUA Harry Potter e a Pedra Filosofal - Hungria Harry Potter e a Pedra Filosofal - França Harry Potter e a Pedra Filosofal - Holanda
 

Brasil

 

Estados Unidos

 

Finlândia

 

França

 

Holanda

Então, quais foram as capas de livros que você mais gostou? Não deixe de comentar esse post e compartilhar sua opinião com outros leitores!

25.03.2011

Séries de TV buscam inspiração na literatura

luana blogou @ 1:34 pm / veja outros posts sobre Livros e Autores

Um advogado bon vivant especializado em resolver casos de chantagem e extorsão. Seu nome é Paulo Mendes, mais conhecido entre os colegas como “Madre Teresa”. Adora fumar charutos, tomar vinhos baratos e namorar muitas garotas. Você está com a sensação de que já ouviu ou viu essa história? Certamente. Estamos falando da série Mandrake, produzida, em 2005, pela HBO Brasil em parceria com a Conspiração Filmes e protagonizada pelo ator Marcos Palmeira. O que, talvez, você não se lembre é que as páginas de livros foram inspiração para a série de televisão indicada duas vezes ao Emmy Internacional (2006 e 2008)  na categoria de melhor série drama. A Grande Arte e Mandrake – a Bíblia e a Bengala, ambas as obras escritas por Rubem Fonseca deram origem à megaprodução que prendeu a atenção de milhares de espectadores junto à TV.

E não para por aí. A televisão nacional está repleta de exemplos de séries adaptadas de nossa rica literatura. A Pedra do Reino, inspirada em Romance d’a Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, de Ariano Suassuna, é outro exemplo da inspiração que diretores de TV costumam encontrar na literatura. A minissérie de 2007 que foi uma homenagem aos 80 anos do escritor nordestino, é narrada como uma autobiografia de seu personagem principal – Pedro Diniz Ferreira Quaderna – autoproclamado “Rei do Quinto Império e do Quinto Naipe, Profeta da Igreja Católico-Sertaneja e pretendente ao trono do Império do Brasil”. As desventuras de Quaderna no interior de Pernambuco funcionam como ponto de partida para Suassuna apresentar e fortalecer a cultura do sertão. Capitu, Dom Casmurro e O Alienista, todas obras de Machado de Assis, são outros exemplos de séries inspiradas em livros homônimos e materializadas na TV brasileira.

No cenário internacional não é diferente. Smalville, por exemplo, dispensa grandes pesquisas históricas sobre sua origem. O seriado resgata décadas de aventuras de seu herói (Super-Homem) nas revistas em quadrinhos. Com algumas diferenças: o protagonista dispensa uniforme, não realiza voos e é apaixonado por uma líder de torcidas. Em outros casos, a lógica se inverte e o que começou com som e imagem na telinha ganha o universo descritivo dos livros. Depois do sucesso de audiência da série House, o médico renomado e “ranzinza” virou também protagonista do livro A Ciência Médica de House .

Se você é um fã de livros e também das séries de televisão, confira exemplos de seriados nacionais e internacionais que tiveram as páginas de livros como fonte de inspiração.

Séries nacionais baseadas em livros:

A Casa das Sete Mulheres Os Maias Hilda Furacão MotherN O Auto da Compadecida Memorial de Maria Moura
 

A Casa das
Sete Mulheres

 

Os Maias

 

Hilda Furacão

 

MotherN

 

O Auto da
Compadecida

 

Memorial de
Maria Moura

Memorial de
Maria Moura

Séries internacionais baseadas em livros:

Sex and the City Gossip Girl True Blood The Vampire Diaries Dexter Bones
 

Sex and
the City

 

Gossip Girl

 

True Blood

 

The Vampire
Diaries

 

Dexter

 

Bones

Memorial de
Maria Moura

21.03.2011

Objetos inspirados em livros para fãs de literatura

luana blogou @ 4:29 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades

Eles são companheiros fiéis. Além de estarem sempre por perto, na estante ou na cabeceira da cama, também inspiram artigos de decoração, itens tecnológicos e funcionais. Você já imaginou que bom seria ter um livro que é, ao mesmo tempo, uma luminária? Certamente, não haveria mais dificuldade em ler no escuro. Melhor ainda, se esse livro também pudesse se transformar em um travesseiro bem macio. Só para o caso de você precisar tirar aquele cochilo depois de uma leitura mais difícil.

Isso ainda pode ser ideia para um cientista maluco, protagonista de um livro de ficção, mas vários objetos interessantes com o tema livro são realidade. Depois de perceberem um público em potencial para seus negócios – os fãs de livros – muitas empresas e designers têm se dedicado ao desenvolvimento de produtos para os fanáticos por literatura. Mas haja criatividade para satisfazer os desejos e necessidades desse público leitor pra lá de exigente!

Na cidade mais irreverente dos Estados Estados Unidos, Nova York, o luxuoso Library Hotel resolveu dedicar 10 andares para hospedar fãs de livros. E não é que deu certo?! Cada um de seus quartos é decorado com temáticas literárias que vão do universo das ciências sociais e da história à religião e às artes. Além de uma biblioteca particular em cada cômodo, o hotel ainda possui espaços comuns destinados a reuniões informais sob inspiração dos clássicos da literatura. É o caso da Caverna dos Escritores (Writer´s Den) e do Jardim dos Poetas (Poetry Garden). À noite, os hóspedes ainda podem desfrutar do Bookmarks Lounge, uma espécie de bar voltado para amantes dos livros e também, é claro, de coquetéis e confraternizações.

A marca italiana Rotaliana, por sua vez, investiu em um produto multifuncional. Vestido sob a capa de um livro, o MultiBook também é luminária, relógio digital, calendário e carregador de aparelhos eletrônicos como celulares e tocadores de MP3 – funções nunca antes imaginadas para uma obra literária. Mas se você é um verdadeiro “devorador” de livros, irá gostar mesmo de degustar a literatura de uma forma diferente. Que tal experimentar os bolos e cupcakes decorados com temas ligados ao universo dos livros? Ler nunca foi tão saboroso!

Gostou? Se você também é fa-ná-ti-co pela literatura, confira abaixo a seleção que fizemos de objetos inspirados em livros.




Comente este post e não deixe de nos revelar seus pertences inspirados em livros.

* As imagens são meramente ilustrativas. A Estante Virtual não comercializa nenhum desses produtos.

18.03.2011

O mundo encantado dos contadores de histórias

luana blogou @ 4:13 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades

A tradição é milenar. O ato de contar histórias remonta o início da civilização quando através da narração de histórias, os mais velhos transmitiam seus ensinamentos aos jovens e fundamentavam o início de nossa cultura oral. Mesmo com a chegada da escrita e de tecnologias modernas como a Internet, o ato de contar histórias permanece com lugar de significativa importância social, cultural e educativa. Quase todos já ouviram falar de Sherazade, a rainha que contou histórias por mais de mil e uma noites para evitar ser morta pelo próprio marido. Esse poder das palavras e da imaginação, que a manteve viva, continua forte e alimentando a fantasia de muita gente. Por isso, aproveitando que no próximo dia 20 de março é comemorado o Dia do Contador de Histórias, fomos conhecer um pouco mais desse mundo mágico nascido pelas palavras de quem conta e encanta crianças, jovens e até mesmo adultos.

Contamos histórias para tentar explicar o mundo, olho no olho, através da voz e dos gestos. Estamos cada vez mais isolados pela vida urbana e pela tecnologia, mas a contação dá um profundo senso de união, de pertencer a um grupo, de viver no coletivo. O resgate disso tudo é o benefício da narrativa”. É assim que Maísa Guapyassú, presidente da Casa do Contador de Histórias, define o poder da narrativa e o papel dos contadores de histórias.

Aprendendo com os contos

Para Maísa, ouvir e narrar histórias traz benefícios educativos, sociais e culturais. “Desenvolvemos os sentidos e a imaginação. Aumentamos o vocabulário, despertamos a curiosidade e a vontade de partilhar experiências. Também desenvolvemos habilidades sociais: aprendemos as regras de convivência. Por fim, garantimos e mantemos uma identidade cultural e asseguramos nosso lugar no mundo”, argumenta ela que há seis anos participa do projeto que é uma Oscip (organização da sociedade civil de interesse público) e conta com 50 voluntários contadores de histórias.

Para o contador Warley Goulart, integrante do grupo Os Tapetes Contadores de Histórias, saber lidar melhor com os imprevistos da vida é o maior aprendizado que as histórias podem trazer. “O que nos diferencia dos outros animais é nossa capacidade de criar narrativas para nós mesmos. E a experiência audiovisual proporcionada por elas nos dá uma percepção mais crítica e sensível da vida, ajudando a resolver nossos problemas”, enfatiza o contador; e ainda afirma que se engana quem acha que as crianças são o único público dos contadores de histórias. “Adolescentes e adultos também se beneficiam dos contos uma vez que uma mesma história pode ser contada de diversas formas. Cinderela, por exemplo, pode falar de uma mulher que passa por provações para ocupar seu espaço na sociedade, ou a adolescente que tem problemas com sua mãe. Não necessariamente se precisa contar aquela versão da Disney”, exemplifica Warley.

Diante de tantos benefícios, a contação de histórias tem sido muito usada no resgate de pessoas com problemas sociais, como o uso de drogas, e como recurso terapêutico dentro de hospitais. “Para essas pessoas, as experiências partilhadas pelas histórias, e reconhecidas pela alma humana, fazem com que elas revisitem suas vidas e encontrem forças para vencer obstáculos. As histórias apresentam uma estrutura comum que organizam o pensar e o sentir do ser humano, direcionando-o a agir”, garante Maísa.

Gostou desse post? Então, nos fale de algum conto que marcou sua vida e poderia tornar-se um bom repertório para contadores de histórias.

 

 

Inspirações e desafios na vida de um contador de histórias

luana blogou @ 3:00 pm / veja outros posts sobre Novidades e Curiosidades

Guiado pelo sonho de mudar o mundo, Alexandre Camilo tornou-se contador de histórias no início de sua juventude. “Os pais têm participação importante no gosto das crianças pelos livros. Minha mãe adorava ler histórias para mim e comprava muitos livros. Com 6 anos já sabia ler e ficava fascinado com o mundo fantástico das narrativas. Minha paixão pelos livros, então, se desenvolveu de forma natural e muito forte na infância”, conta Alexandre que faz questão de frisar que contar histórias não é atuar. Apesar, do uso comum de adereços cênicos, a paixão pela história é, segundo o contador, a principal ferramenta de trabalho de de quem narra histórias. “Contar histórias não é atuação, envolve outro universo. Requer estudo mas, muito mais do que técnica, é preciso contar com o coração. Existem excelentes contadores que não sabiam ler ou escrever mas tinham paixão pelos contos”, revela.

A primeira vez que percebeu o poder de suas histórias foi no retorno ao local de uma de suas contações. “Após voltar ao local de um trabalho, me deparei com um homem me questionando sobre o final de uma história que havia contado dois anos antes. Segundo ele, um compromisso havia o impedido de ouvir o desfecho. Lembrei que o conto narrava a história de um homem com fé mas que chegava ao céu atordoado e descrente. Foi, então, que percebi que minha história havia conversado com aquele homem. Ele se identificou com o personagem ou com a situação que ele estava vivendo”, relembra Alexandre que intitula a contação como algo sagrado! “Este é o poder de encantamento das histórias”, complementa o contador.

Buscando inspiração

Contar histórias é algo que requer bastante imaginação. Por isso, além da capacidade criativa do contador, o repertório para as contações também é infindável. “As histórias podem ser pessoais, inventadas, aumentadas, recontadas e extraídas dos livros”, afirma Warley Goulart, integrante do grupo Os Tapetes Contadores de Histórias. Elas estão sempre em transformação. “Faço minha versão. Reescrevo e reconto a história do meu jeito. Quando um contador estuda uma história há um diálogo entre ele e a narrativa”, acrescenta Alexandre. Enquanto Warley se inspira nos contos de Luís da Câmara Cascudo, Sílvio Romero, Ricardo Azevedo, Carlos Drummond de Andrade, Ana Maria Machado e Monteiro Lobato; Alexandre cita as histórias de Oscar Wilde, Hans Christian Andersen e dos irmãos Grimm como suas favoritas.

Os desafios de se tornar um contador de histórias

Ainda que todos nós sejamos contadores de histórias, ao narrar fatos do dia-a-dia, realizar o exercício profissionalmente requer habilidades e superação de desafios. Dentre os maiores obstáculos a serem transpostos no ato de contar histórias, Warley destaca o próprio momento da narrativa. “Cada encontro é um desafio. Se vamos a um hospital, por exemplo, nos deparamos com as seguintes questões: O que contar? Como contar? Que história vai fazer bem àquela criança?”. Além disso, durante as contações, é preciso manter o ser humano em segundo plano, deixando que o conto assuma o papel principal. “O bom contador de histórias é aquele que aprende a deixar as imagens das histórias fluírem. Ele as entrega para o público, deixando que a história se conte. É profundamente humilde, pois treina para desaparecer enquanto narra um conto. O bom contador de histórias é como um instrumento musical: o que importa é a música que passa por ele e ressoa na alma”, enfatiza Maísa Guapyassú, presidente da Casa do Contador de Histórias.

A boa notícia para quem gosta de histórias é que os contadores vêm ganhando seu espaço em cena. “Houve uma grande popularização da figura do contador de histórias. Empresas têm dado incentivo. Livrarias também abrem seus espaços”, salienta Alexandre. A Casa do Contador de Histórias oferece cursos de formação para quem deseja ingressar no mundo fantástico das narrativas. “Todo mundo tem um contador de histórias dentro de si. Em alguns está mais escondido, em outros mais a flor da pele. No curso, ajudamos, através de várias técnicas, a aflorar esse contador de histórias”, explica Maísa. Para ser voluntário na casa, além de fazer o curso “A Arte de Contar Histórias” é preciso participar de cursos de aperfeiçoamento e supervisões periódicas, nas quais são desenvolvidas as habilidades como contador.

Quer saber mais sobre a arte de contar histórias? Não deixe de ler o post O Mundo Encantado dos Contadores de Histórias.

14.03.2011

Profissão Livreiro

luana blogou @ 6:56 pm / veja outros posts sobre Sebos e livreiros

Eles dedicam a maior parte do seu tempo aos livros. Conhecem milhares de títulos, a vida e a obra de outros milhares de escritores. Em uma estante lotada de obras, sabem apontar o exemplar mais antigo e também o mais raro em exposição. Não! Eles não são apenas leitores aficionados por literatura. Eles estão do outro lado do balcão. São os vendedores de livros. E neste 14 de março, Dia do Vendedor de Livros, conversamos com duas livreiras que encontraram a realização de suas carreiras nessa profissão.

Início de carreira

Letícia Werneck Streithorst, proprietária do sebo Livros, Livros e Livros, com mais 4.300 exemplares na Estante Virtual, trocou a mesa do escritório onde trabalhava como assessora de imprensa por uma estante recheada de obras raras. “Desde pequena tive contato com os livros dentro de casa por influência de minha mãe e também de meu padrasto poeta. Na carreira de jornalista, me sentia triste e infeliz. Foi quando tive a ideia de montar um sebo. Um amigo livreiro me ensinou todo o processo de compra, venda e troca de livros”, relembra a livreira que, no ano de 2003, abriu sua primeira loja no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro.

Sílvia Chomski, livreira-sócia do sebo Berinjela, nunca foi uma leitora tão voraz quanto seu irmão, que deixava de comer para ler suas obras prediletas. Mas foi por influência dele, que ela tornou-se livreira do sebo que fica no Centro da cidade do Rio de Janeiro e possui um acervo online de mais de 3.400 livros. “Eu morava na Argentina e quando vim para o Brasil com minha filha de 3 meses, precisava trabalhar. Daniel, meu irmão, me ofereceu um emprego de meio período como funcionária do sebo. Aceitei o desafio. Comecei a trabalhar, aprender e gostar do que fazia. Anos mais tarde, tornei-me sócia da livraria”, conta Sílvia.

Nos anos que trabalha como livreira, Sílvia coleciona um grande histórico de situações pra lá de inusitadas. “Certa vez, um jovem veio à livraria buscando um livro laranja. Ele não sabia o autor, a editora, e nem sequer o nome do livro. Depois do ocorrido, sempre que chega algum cliente na livraria, buscando um livro que não sabe bem qual é, rimos e perguntamos: ‘é um livro laranja’?”, brinca Sílvia. E, ainda que garanta que não possui a memória espantosa de seu irmão (para guardar os títulos de obras) – resultado de 15 anos de profissão como livreiro – Sílvia memoriza livros pela capa e conhece, praticamente, todos os lançamentos. “Gosto de novos autores. Geralmente, as pessoas tendem a procurar mais pelos escritores consagrados. Eu gosto de novidade. Por isso, leio autores israelenses, africanos e gosto das biografias e obras com fundo histórico, como a literatura de guerra. Os livros me ensinam o que tempo não permite”, justifica a livreira.

Prós e contras da profissão

Quando questionadas sobre os prós e contras da profissão, Letícia e Sílvia garantem: não há lado negativo no exercício da venda de livros. “Tenho consciência de que o que faço não é algo para me tornar milionária. Mas consigo viver da venda de livros e adoro o que faço, isso me satisfaz”, afirma Letícia. “O único momento ruim na profissão é quando não tenho o livro que o leitor procura. No mais, tudo é positivo. Conhecemos gente interessante, inteligente e dos mais diferentes tipos. Muitos deles tornam-se clientes assíduos e grandes amigos”, complementa Sílvia.

Quanto ao segredo da profissão, ambas são categóricas: é preciso deter conhecimento. “O livreiro precisa ter domínio sobre o objeto de seu trabalho, isto é, o livro. Não significa conhecer todos os títulos e lançamentos, mas o básico: o que é uma edição, como um livro é feito, saber a história do livro, as razões de o papel de uma determinada época ser mais quebradiço. Não é preciso entrar no mérito de conhecer livros raros, mas saber o valor certo e avaliar um livro na hora da compra é fundamental”, enumera Letícia.

Para Sílvia, o conhecimento é, exatamente, o que diferencia os bons vendedores de livros seminovos. “Quem vende livro novo não precisa ter tanto conhecimento sobre os livros. Qualquer informação pode ser encontrada na Internet. Mas nós temos que conhecer livros muito antigos, então, é preciso saber um pouco a mais. Não adianta ter uma livraria, se não souber o que se está vendendo. O cliente vem uma vez e não volta mais. Capacitação e vontade de aprender é primordial para um livreiro”, argumenta Sílvia.

Seguindo essas dicas, e com dedicação e amor pela profissão, as livreiras confirmam: é satisfação garantida para leitores e vendedores de livros. 

08.03.2011

De Mulher para Mulher: a literatura feminina

luana blogou @ 10:00 am / veja outros posts sobre Livros e Autores

Quando se fala em literatura voltada para mulheres, logo, se pensa em histórias do gênero “mamão com açúcar”. Narrativas recheadas de emoção (dessas de chorar!), humor e com respostas para as “maiores” dúvidas femininas. Em crescimento no mercado editorial, esse gênero literário conhecido como Chick-Lit se caracteriza por romances leves e divertidos que relatam o dia-a-dia da mulher moderna e seus principais dilemas profissionais, pessoais e amorosos. Com origem nos Estados Unidos, a “literatura de mulherzinha”, como é conhecida pelo menos espirituosos, inclui um extenso time de autoras como: Sophie Kinsella, de Delírios de Consumo de Becky Bloom, Helen Fielding, de O Diário de Bridget Jones, Mariah Keyes, de Melancia, Meg Cabot, de O Diário da Princesa e, mais recentemente, Elizabeth Gilbert, de Comer, Rezar e Amar.

Mas quem se interessa pela literatura feminina sabe que, antes mesmo de o gênero Chick-Lit se popularizar, escritoras consagradas já haviam dedicado obras inteiras à reflexão do universo feminino. É o caso de Clarice Lispector, Isabel Allende, Ana Maria Machado e muitas outras. Por isso, nesse 08 de março, Dia Internacional da Mulher, você confere, ao final deste post, uma lista de livros voltados para o público leitor feminino e escritos por autoras de renome.

Guerreiras da literatura

Durante muito tempo, a literatura foi um território ocupado unicamente pelos homens. E demorou para que ela abrisse um espaço oficial para que as mulheres também pudessem se expressar. Igualmente, por muito tempo, a única imagem feminina retratada nas obras literárias era reflexo da visão de autores (homens) que as descreviam, na maioria das vezes, como mulheres frágeis e submissas. Foi nadando contra essa corrente que muitas escritoras lutaram para conquistar o reconhecimento de suas narrativas. Emily Brontë, de O Morro dos Ventos Uivantes, por exemplo, se viu obrigada a escrever sobre o pseudônimo masculino de Ellis Bell. Jane Austen, de Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade, foi mais além e conseguiu publicar livros em uma época em que a mulher ainda não era reconhecida intelectualmente.

A imprensa editada por mulheres, que teve seu auge em meados do século XIX, foi um ajuda decisiva para vencer essa batalha. Influenciada pelos movimentos feministas da época, o Jornal das Senhoras, primeira publicação do gênero no Brasil (Rio de Janeiro) , abriu um importante espaço para divulgação de temas do universo feminino e expressão de artistas, escritoras e políticas. Depois disso, elas conquistaram seu espaço e revelaram seu talento para o mundo.

Então – mulheres – em seu dia internacional, à exemplo das representantes russas que deram origem a essa data, protestando por “pão e paz”; e também às escritoras que lutaram por seu reconhecimento na literatura, que tal manifestar seu gosto pelas publicações voltadas ao universo feminino, comentando este post? Estamos esperando a sua opinião.

Boa leitura e um Feliz Dia Internacional da Mulher!

Livros escritos por mulheres e para mulheres:

Perdas e Ganhos Emma Divã Retrato em Sépia Rumo ao Farol As Horas Nuas
 

Perdas e Ganhos
Lya Luft

 

Emma
Jane Austen

 

Divã
Martha Medeiros

 

Retrato em Sépia
Isabel Allende

 

Rumo ao Farol
Virginia Woolf

 

As Horas Nuas
Lygia F. Telles

Mulheres que Correm com os Lobos História das Mulheres no Brasil A Mulher Desiludida A Audácia dessa Mulher Minha Vida de Menina Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres
 

Mulheres que
Correm com os
Lobos

Clarissa P. Estés

 

História das
Mulheres no
Brasil

Mary Del Priore

 

A Mulher
Desiludida

Simone de Beauvoir

 

A Audácia dessa
Mulher

Ana Maria Machado

 

Minha Vida
de Menina
Helen Morley

 

Uma Aprendizagem
ou o Livro dos
Prazeres

Clarice Lispector

* As imagens são meramente ilustrativas

03.03.2011

Literatura e Carnaval: uma mistura com ginga na passarela do samba

luana blogou @ 4:53 pm / veja outros posts sobre Livros e Autores

Já começou a contagem regressiva para o Carnaval. Os preparativos para cair na folia já podem ser vistos em todo o país. São carros alegóricos, fantasias, trio elétrico e muita animação. Mas e a literatura ? Será que ela tem espaço nesta festa? Em 2009, a escola de samba carioca Mocidade Independente de Padre Miguel mostrou que sim: a literatura pode vestir a cara do Carnaval. E levou a temática literária para a passarela do samba, homenageando grandes nomes como Machado de Assis e Guimarães Rosa. No ano seguinte, foi a vez da Acadêmicos do Salgueiro repetir a dose. Com o enredo Histórias sem Fim, entrou na avenida para mostrar e cantar a importância do livro: da invenção da prensa de Gutemberg, passando pela literatura infantil, os gêneros de suspense e ficção e chegando aos best-sellers.

Mas não foi só na passarela do samba que a festa popular e a literatura se uniram. Diante da importância cultural do Carnaval brasileiro, muitos autores se debruçaram sobre tema, escrevendo livros que retratam a história e as principais características dessa festividade.  Se você é um folião alegre, e também um leitor voraz, fica aqui algumas dicas de livros que abordam a folia em sua temática:

Carnaval, Malandros e Heróis: para uma Sociologia do Dilema Brasileiro O Carnaval das Letras: Literatura e Folia no Rio de Janeiro do Século XIX O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro Almanaque do Carnaval Batuque, Samba e Macumba: Estudos de Gesto e de Ritmo A Cinza das Horas: Carnaval e o Ritmo Dissoluto
 

Carnavais, malandros e
heróis

Roberto da Matta

 

O Carnaval
das Letras

Leonardo Pereira

 

O Livro de Ouro
do Carnaval Brasileiro

Felipe Ferreira

 

Almanaque
do Carnaval

André Diniz

 

Batuque, Samba
e Macumba

Cecília Meireles

 

A Cinza das
Horas

Manuel Bandeira

O País do Carnaval O Carnaval Carioca através da Música Sob o Signo do Carnaval Carnaval Brasileiro: o Vivido e o Mito Carnaval em Branco e Negro Samba, o Dono do Corpo
 

O País do
Carnaval

Jorge Amado

 

O Carnaval
Carioca através
da Música

Edigar de Alencar

 

Sob o Signo
do Carnaval

Marlene Pinheiro

 

Carnaval
Brasileiro

Maria Queiroz

 

Carnaval em
Branco e Negro

Olga Moraes e Von Simson

 

Samba, o Dono
do Corpo

Muniz Sodré

* As imagens são meramente ilustrativas

A origem do Carnaval

Ao contrário do que muitos imaginam, a origem dessa festa popular é européia. Foram os portugueses que, em 1641, início da colonização brasileira, trouxeram a festividade para o nosso país. O Entrudo português, precursor do Carnaval tal qual o conhecemos, posuía diferenças significativas com a folia de hoje. Por vezes, violento, ele se caracterizava por brincadeiras de rua em que os foliões arremessavam água, ovos e farinha nos traseuntes. Com pouco mais de requinte, os bailes de máscara da Itália Renascentista também influenciaram o Carnaval brasileiro, sobretudo, nas classes mais nobres do país. Mas não tardou para que os brasileiros dessem o seu “jeitinho” e uma pitada de originalidade à comemoração. Nossos foliões acrescentaram elementos africanos ao Entrudo e as mascaradas italianas, fazendo com que o Carnaval brasileiro ganhasse o batuque dos tamborins e o colorido das serpentinas.

Nesse Carnaval, boas leituras e muita diversão!


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