Livros raros que são verdadeiros tesouros
Uma Bíblia em alemão, de 1800, que precisou ser enterrada pelos donos para não ser destruída na Segunda Guerra Mundial e a primeira edição brasileira de A Origem das Espécies, de Charles Darwin, com capa de tecido e couro, são exemplares que poderiam estar em museus. Mas, na verdade, obras importantíssimas como essas são encontradas em sebos que se dedicam à venda de livros raros.
No Sebo do Baú, em Bauru (SP), há uma sala exclusiva para cerca de 4 mil desses livros raros: a maioria deles disponível também na Estante Virtual. “Desde o início trabalhamos com essas obras mas a internet impulsionou muito esse negócio”, conta Roberto Dau, proprietário do sebo. Imaginar as razões para o fato não é difícil. A Estante Virtual poupa os colecionadores, grandes consumidores de obras raras, da peregrinação que Roberto precisa fazer para adquirir os livros. “Viajo bastante para comprá-los. Vou a fazendas e casas antigas. Como nosso sebo já é conhecido na região, algumas pessoas ligam para oferecer exemplares”, diz ele, que aprendeu com a prática a fazer negócios na área de livros raros.
Antes disso, porém, cometeu alguns equívocos. O que mais causa remorso foi a venda do livro raro de Darwin por apenas R$650 – valor muito inferior aos R$4 mil que Roberto supõe ser o seu atual valor de mercado. “Hoje, não venderia mais o livro”, garante o livreiro que leva em conta o estado do produto, o autor e o ano, entre outros quesitos, para fixar os preços.
Os mesmos R$ 4 mil foram pedidos pela bíblia alemã no Sebo Café Santa Maria, na cidade homônima localizada no Rio Grande do Sul. Nesse caso, porém, o negócio não foi concluído e o livro voltou para as mãos dos antigos proprietários. “Aparecem muitos livros raros sobre religião por aqui”, revela Simone Burigo, uma das proprietárias do sebo, que disponibiliza quase dois mil exemplares raros na Estante Virtual.
Além dos bibliófilos, pessoas com saudade de obras esgotadas lidas durante a infância também procuram a estante de Livros Raros. “Em geral, são consumidores mais velhos”, conclui Simone, que tem um grande preocupação e cuidado para preservar o material.
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