Livro de poesias de José Saramago é ruim, diz crítica da Folha de SP
Em crítica sobre o livro de poesias O ano de 1993, de José Saramago, publicada na Folha de São Paulo, Alcir Pécora, professor de teoria literária da Universidade Estadual de Campinas, foi bastante enfático: “José Saramago não é poeta. ‘O Ano de 1993′ é a prova cabal disso. É tão ruim como poesia que deixa até supor que possa ter mérito como prosa.” E completou:” Se algum dia a Ilustrada tiver a idéia de fazer uma dessas deliciosas enquetes sobre os piores versos do século passado, já adianto o meu voto.”
O livro foi escrito em 1975. Para quem gosta do autor, é difícil imaginar que o Saramago pré-Nobel possa deixar tanto a desejar. Por isso, vale a pena matar a curiosidade, analisando e comparando a poesia de outrora com os romances mais recentes do autor (que podem ser encontrados na Estante Virtual). É ler para crer.



É difícil imaginar o estilo “saramaguiano” sob forma de poesia.
comentário : cley — 04.10.2007 @ 9:01 am
Há algum tempo atrás o grande Michael Jordan, astro do basquete americano,trocou o cesto
pelo baseball.Foi um jogador medíocre, mas mesmo assim, houve respeito da imprensa
americana com ele.A crítica deste cidadão para com Saramago, pela raiva gratuita de suas
palavras, lembra a inveja do compositor Salieri para com Mozart,ou seja, um mediocre (e
como as universidades estão cheios deles hoje)com inveja de um esteta,sinal dos tempos.
Não é que Saramago não deva ser criticado, mas quando a nós esperamos uma crítica
intelectual sobre o escritor em questão, nos deparamos com uma crítica de quinta
categoria, aliás, se a ilustrada fizer também uma enquete para saber as crítcas mais
cheias de inveja e pífias, este cidadão é pole position.Que saudades do pasquim….
comentário : robledo duarte — 04.10.2007 @ 8:46 pm
“É tão ruim como poesia que deixa até supor que possa ter mérito como prosa.”
Este tal de Alcir é uma besta! Há tempos elogiava O Saramago! Não gostou da poesia e queima a prosa!
Não li, mas fiquei com vontade de ler.
Talvez seja esta a meta do Alcir. Divulgar.
comentário : Joni Martins — 06.10.2007 @ 11:48 am
OUVINDO BEETHOVEN
Venham leis e homens de balanças
Mandamentos daquém e dlém mundo
Venham ordens decretos e vinganças
Desça em n´s o juiz até ao fundo
Nos cruzamentos todos da cidade
A luz vermelha brilha inquisidora
Risquem no chão os dentes da vaidade
E mandem que os lavemos a vassoura
A quantas mãos existam peçam dedos
Para sujar nas fichas dos arqueiros
Não respeitem mistérios nem segredos
Que é natural nos homens serem esquivos
Ponham livros do ponto em toda a parte
Relógios a marcar a hora exacta
Não aceitem nem queiram outra arte
Que a prosa do registo o verso-acta
Mas quando nos julgarem bem seguros
Cercados de bastões e fortalezas
Hâo-de ruir em estrondo os altos muros
E chegará o dia das surpresas.
José Saramago, Julho de 1966, in OS POEMAS POSSIVEIS
Se a critica se desse ao «trabalho» de ler OS POEMAS POSSIVEIS talvez reconhecesse o seu erro e mudasse de opinião.
comentário : Campos — 08.10.2007 @ 5:57 pm
Aquilo não é crítica. O livro de Saramago, que eu já tresli, é muitíssimo bom. O Saramago, aliás, é antes poeta do que prosador.
comentário : Carlos Besen — 10.10.2007 @ 4:46 pm